Professores de CEIS protestam em Londrina
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quinta-feira, 18 de abril de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
A insatisfação salarial e a sensação de desvalorização do trabalho, que já se arrastam há anos, foi o que motivou centenas de professores dos 64 Centros de Educação Infantil (CEIs) filantrópicos de Londrina a paralisarem as atividades e realizarem uma passeata ontem de manhã. A mobilização, na área central, contou com o apoio de docentes da rede particular.
"Queremos respeito e valorização; estamos cansados desse `regime de escravidão", destacou a professora Isabel Cristina de Souza, de um CEI da zona sul. "Eu não me formei em Pedagogia e trabalho há 27 anos para receber um salário tão baixo."
Após uma negociação com sindicatos da categoria, o piso salarial passou de R$ 663 para 800 nos filantrópicos e de R$ 645 para R$ 750 nos particulares. Apesar do acordo coletivo de trabalho ter sido assinado pelos professores, eles reclamam do reajuste baixo. "Esse movimento é um grito de socorro à sociedade; nosso objetivo é exigir das escolas uma maior conscientização", destacou o presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro), Eduardo Nagao.
A professora Angela de Oliveira leciona em um centro da zona norte e confirma a difícil situação financeira. "Tenho dois filhos pequenos para criar e dependo desse dinheiro para sustentá-los", afirmou.
O presidente do Sindicato das Entidades Culturais Recreativas e Filantrópicas do Norte do Paraná (Secraso), José Milton de Souza, reconheceu que o salário é baixo, mas disse que o reajuste é o máximo que a classe patronal pode conceder. Isso porque, segundo ele, os CEIs acumulam deficit financeiro há anos e grande parte do repasse feito pela prefeitura é utilizado para cobrir essas dívidas. "Nos últimos cinco anos cerca de 10 entidades fecharam por causa desse deficit", informou, dizendo que o município repassa hoje R$ 185 por aluno.
"Se levarmos em conta a realidade financeira dessas instituições, é um valor justo (do reajuste), afinal, toda a nossa receita vem da mensalidade paga pelos pais dos alunos e não podemos onerar essas famílias", salientou o presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), Alderi Ferraresi.
Com a paralisação, pelo menos 6 mil crianças ficaram sem aulas, o que acabou provocando transtorno para muitos pais e responsáveis. "Minha filha não estava sabendo e precisei ficar com ele para trabalhar", conta Rosa da Silva, avó de Luiz Miguel, de 4 anos, da zona norte. A vendedora Morgana dos Santos Francisco, também da zona norte, pagou uma conhecida para cuidar do filho Allan Vinícius, de 3, enquanto ela ia trabalhar. Apesar da dificuldade, ela disse entender a mobilização. "As professoras mereciam ser mais valorizadas."


