Milton DóriaHora erradaA professora Simone Kiyonaga com estudantes da rede municipal: ‘Os alunos do turno intermediário poderiam se sair melhor se tivessem quatro horas diárias de aula’‘‘Acho que enquanto se quiser qualidade do ensino, não pode existir o turno intermediário. Eu tenho dó dos meus alunos’’, aponta a professora Simone Magdinelli Kiyonaga, da escola Bárbara Falkowski, no conjunto União da Vitória (zona sul). Simone conta que de 1987 a 1995 só trabalhou com alunos do turno intermediário. Quando em 96 finalmente pegou uma classe de turno normal, sentiu uma diferença drástica. ‘‘Os alunos do turno intermediário poderiam se sair melhor se tivessem quatro horas diárias de aula’’, afirma a professora.
Para contornar um pouco a fome dos alunos, ao meio-dia é oferecida na escola uma merenda escolar. Os 15 minutos de ‘‘intervalo’’ acabam diminuindo ainda mais o tempo de aula, além de fazer com que os alunos comam rápido e voltem para sala com menos disposição.
‘‘O rendimento é mesmo diferente. E os pais reclamam muito, preferem o horário normal’’, concorda Valéria Lopes, também professora do Bárbara Falkowski e que leciona para alunos da manhã e do intermediário.
‘‘Esse horário é muito ruim, não dá para ajudar minha mãe a fazer o trabalho de casa’’, observa a aluna Marielen de Brito, 8 anos, da 2ª série. Para Alessandro José dos Santos, 10 anos, o problema maior é mesmo com a comida: ele preferia almoçar em casa do que comer a merenda na escola, ao meio-dia.
‘‘A comida aqui é boa, mas também prefiro almoçar em casa, com mais calma. Aqui a gente tem que comer muito rápido’’, concorda Oséas Valin Sampaio, 13 anos, também aluno da segunda série. Avessa às críticas, Fabiana da Silva Bernardes, 11 anos, não vê problema algum em estudar das 11 às 14h30. ‘‘Gosto do horário, é bom.’’

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