Professores celetistas podem ficar sem aulas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de abril de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Pelo segundo dia consecutivo, os professores da rede estadual contratados pelo regime Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT) enfrentaram muita confusão. Ontem pela manhã, no Colégio Estadual Maria do Rosário Castaldi, Zona Oeste de Londrina, dezenas de docentes aguardavam o atendimento para redistribuição de aulas, sem garantia que haveria salas para todos. ''É uma falta de organização. Isso deveria ter sido feito antes para não prejudicar os alunos'', declarou a professora de matemática Angela Basílio.
Segundo o chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Rony dos Santos Alves, o Estado constatou que tem um número alto de professores contratados pelo Processo Seletivo Simples (PSS) e pela CLT, e essa reformulação de cargas horárias incentiva que os estatutários assumam mais horas e permite que alguns docentes sejam dispensados. ''Esses professores (celetistas e PSS) geram muitos encargos, o que dificulta as negociações para aumentos de salário'', argumentou Alves. Ele não soube informar quantos docentes devem ser dispensados.
A redistribuição de aulas começou no final do mês de março com os professores estatutários, que puderam escolher entre uma carga horária de 20 ou de 40 horas. E só agora os docentes celetistas foram convocados. Eles terão que cumprir oito horas de atividades a mais, resultando em uma carga horária mínima de 32 horas/aulas. A medida pretende garantir a dedicação exclusiva dos professores da rede estadual.
Para ontem estavam previstos os atendimentos dos professores das disciplinas de matemática e ciências, mas devido ao atraso da segunda-feira, muitos professores de português voltaram ao colégio. ''Ontem (segunda-feira) cheguei aqui às 8h30 e saí às 6 da tarde sem ser atendido. Hoje (ontem) não tenho nenhuma garantia que vão me atender'', disse o professor de português Elias Cilas de Oliveira. O docente lembra que essa situação causa muitos transtornos. ''Já tinha aplicado provas em algumas turmas e agora uma outra professora assumiu. Vou passar metade das provas corrigidas e o restante ela deverá terminar'', contou.
Questionado se a distribuição não poderia ser realizada antes, o chefe do NRE alegou que era o período de férias dos professores e muitos deles estavam viajando. ''É um processo lento, porque o professor tem que olhar a carga horária de todas as escolas para ver quais as aulas e horários que se adequam a ele. Mas, devido à confusão que houve ontem (segunda-feira) e hoje (ontem), vamos redimensionar o número de professores que será atendido por dia'', informou.


