Professores ameaçam acampar no Palácio
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Professores e funcionários da rede estadual de ensino entraram em greve por tempo indeterminado ontem com um impasse. A categoria afirma que não retornará às aulas até que o governo do Estado atenda à sua principal reivindicação, de 41,15% de reposição salarial. Já a Secretaria de Estado da Educação acena apenas com uma contraproposta, que não prevê reajuste de salário. Diante das dificuldades de negociação, os professores analisam outras formas de pressão, como a realização de uma greve de fome e até mesmo a possibilidade de acamparem em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, como já fizeram em 81 e em 86.
O Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) afirma que a adesão à greve foi maciça nas grandes cidades, sendo que 70% a 80% dos professores pararam ontem. Já a avaliação da Secretaria da Educação é de que a adesão média em todo Estado ficou em 45%, sendo de apenas 35% em Curitiba e de 48% e 90% no sul e norte da região metropolitana, respectivamente.
Em Curitiba, uma passeata de professores, pais e alunos marcou o início da paralisação. Com a presença de outras categorias em greve. Os manifestantes percorreram o centro da cidade, partindo da Praça Santos Andrade até a Boca Maldita, onde o protesto continuou até o início da tarde. Enquanto a APP-Sindicato afirmava que mais de 7 mil funcionários estavam na manifestação, a Polícia Militar estimou a presença de 4 mil.
Em Foz do Iguaçu, uma manifestação no calçadão da cidade com cerca de 1.000 pessoas, que se estendeu com uma passeata pela principais avenidas, até a sede do Núcleo Regional de Educação, onde um acampamento foi montado, deu início à grave dos professores e funcionários das escolas estaduais. Segundo o presidente do núcleo da APP/Sindicato, Luis Carlos de Freitas, cerca de 90% dos professores dos colégios estaduais de Foz aderiram ao movimento e 60% já estão parados.
Em Maringá a adesão de 87% dos professores e funcionários à greve da categoria, segundo a APP-Sindicato, estimulou os funcionários da área de educação do município a fazer um dia de paralisação. Pelo menos 50% dos professores da rede municipal aderiram à mobilização, que contou com o apoio de representantes de outros setores. Cerca de mil servidores fizeram uma passeata até a prefeitura, onde conseguiram abrir negociação. A primeira reunião foi agendada para amanhã. O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismar), Claudemir Romancini, que também é professor, disse que desde abril de 97 a categoria não tem reajuste salarial.
O movimento dos professores e funcionários estaduais começou no dia 10 de maio, de forma parcial, com a redução das aulas em 20 minutos. Segundo a APP, a participação da categoria chegou a 90% em todo Estado. Além do reajuste, professores e funcionários reivindicam o pagamento da hora-atividade, que é garantida em lei mas não é paga pelo Estado, e implantação do Plano de Cargos e Salários. Os professores não aceitaram a contraproposta apresentada pela secretaria na última negociação, segunda-feira, por considerar que todos os itens já eram pontos negociados e prometidos. (Participaram as sucursais de Foz do Iguaçu e Maringá)


