Professoras querem criar Casa da Leitura
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Duas professoras da área de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) querem transformar Curitiba em um centro nacional de discussão sobre leitura. A idéia é montar uma ''Casa da Leitura'', para a organização de eventos, qualificação de pessoal para o ensino de diferentes leituras, além de montar um banco de dados sobre a educação no País. Para isso, elas estão em contato com as secretarias estadual e municipal de Educação além da Fundação Cultural de Curitiba.
''Nosso objetivo é fazer um trabalho para que crianças e jovens consigam ler e entender, de forma crítica, o que estão lendo. E essa leitura não se restringe só à literatura, mas a diferentes formas de linguagem, como o cinema, teatro, televisão, entre outras'', explica Marta Morais da Costa, diretora da área de Letras da PUC. Já trabalhando nesse sentido, Marta e a professora Maria de Lourdes Martins estão coordenando o 2º Congresso Paranaense de Leitura Saberes, aberto ao público em geral, e que será realizado na PUC entre os dias 22 a 24 deste mês.
Essa preocupação com a leitura é explicada. Dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) divulgados pelo Ministério da Educação mosstram que 22% dos alunos da quarta série do Ensino Fundamental não conseguem ler, outros 37% desenvolveram algumas competências, mas tiveram desempenho em português bem abaixo do esperado. Ou seja, 59% dos alunos matriculados na 4 série apresentaram rendimento escolar considerado ''crítico'' ou ''muito crítico''.
O Paraná, de acordo com a pesquisa, tem situação melhor do que a média nacional. Na 4 série do Ensino Fundamental, por exemplo, 15% dos alunos foram considerados como ''muito críticos''. Mas o Estado tem também o pior desempenho da Região Sul, que registrou média de 13% nos três estados.
''Isso significa que 22%, ou quase um quarto dos alunos, continuam analfabetos depois de quatro anos de escola. Ou que 60% estudaram 11 anos e aprenderam o quê?'', questiona Marta.
Para reverter a situação, elas defendem um trabalho conjunto e continuado envolvendo os diferentes níveis de governo, sociedade, organizações não-governamentais (ONGs), empresas e a própria imprensa.


