Professoras do PR ganham prêmio nacional
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os projetos pedagógicos de duas professoras paranaenses receberam no início de dezembro, em Brasília, o Prêmio Professores do Brasil, promovido pelo Ministério da Educação. Na categoria Educação Infantil venceu o projeto Resgatando Nossa Memória, desenvolvido pela professora Maria de Fátima Barth Antão do Centro Municipal de Educação Infantil Pequeno Reino, em Castro (Campos Gerais). Nas séries iniciais do Ensino Fundamental ganhou o projeto A Ludicidade na Intervenção Pedagógica, de autoria de Rosilene Anevan Fagundes, professora do Colégio Estadual Arnaldo Busato, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba).
Elas foram as únicas paranaenses contempladas pelo prêmio, que teve 779 inscrições e apenas 31 projetos premiados entre 15 estados brasileiros. Segundo Rosilene, a idéia do projeto surgiu de um problema identificado junto aos alunos que cursavam a 8 série no colégio em 2007, que apresentavam dificuldades com os rudimentos da matemática, como tabuada e outras operações simples. A saída encontrada por ela foi o uso de jogos de raciocínio para ajudar no aprendizado. Ela recorreu ao jogo Torre de Hanói, muito usado no estudo de sistemas binários em cursos de análise de sistemas, e o jogo Pirâmide nos Quadrantes, desenvolvido por ela e que está em fase de patenteamento.
Além de trabalhar o raciocínio lógico, o projeto também abordou a comunicação oral e o trabalho em equipe dos alunos, que ministraram os jogos para turmas da 5 série. A expectativa de Rosilene é que agora esse projeto se expanda para outras escolas através do Ministério da Educação. Segundo ela, esse foi o único projeto na área da matemática apresentado em todo Brasil.
O outro projeto paranaense premiado, o Resgatando Nossa Memória, também surgiu de uma situação observada em sala de aula. Segundo a professora Maria de Fátima, alguns alunos de cinco anos apresentavam uma postura discriminatória em relação a alguns coleguinhas negros ou de regiões mais pobres do Distrito de Socavão, a 46 quilômetros de Castro. ''Eles não queriam pegar na mão, abraçar ou ficar perto'', conta. Diante disso, a professora decidiu recuperar a história da região de forma a demonstrar às crianças que a diversidade é muito importante, principalmente em uma região colonizada por tropeiros e que tem em seu interior três comunidades de remanescentes de quilombos (quilombola).
Com isso, foram abordados temas como a identidade de cada criança, das suas famílias e a importância destas na formação do Distrito de Socavão. ''Mandei uma entrevista para a casa dos pais e fizemos a árvore genealógica de cada criança'', afirma. Apesar do sucesso da iniciativa é provável que o projeto não continue, pois cada nova turma tem suas próprias particularidades. ''Cada turma é uma turma a gente faz o diagnóstico pra ver o que é necessário'', afirma a professora.
Cada professora premiada recebeu R$ 5 mil e a instituição onde o projeto foi aplicado R$ 2 mil em equipamentos de multimídia. As experiências apresentadas foram reunidas pelo MEC em um livro que será distribuído para as redes públicas da educação básica.


