‘‘Não é necessário mandar material a São Paulo para saber que o lago Igapó está poluído.’’
A afirmação é das professoras do departamento de Química e pesquisadoras da área de Química Ambiental da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sônia Maria Nobre Gimenez e Maria Josefa Santos Yabe.
Para elas, a análise da água pode ser feita em Londrina mesmo, através de laboratórios como o da Sanepar e do próprio Instituto Ambiental do Paraná (IAP), embora o resultado da análise feita pelo IAP esteja causando polêmica na Cidade.
De acordo com os resultados obtidos pelo Instituto - o exame foi feito após ter sido registrada uma grande quantidade de mortandade de peixes no local -, as águas do Igapó apresentaram bons índices de oxigênio dissolvido (necessário para a sobrevivência dos peixes) e de demanda química de oxigênio (necessário para degradar os produtos químicos contidos na água).
As professoras não conhecem o laudo oficial do Instituto, mas desde já contestam os resultados de qualquer análise que não aponte poluição no lago Igapó.
‘‘Tudo que é lançado ao longo da bacia do ribeirão Cambé acaba se concentrando no Igapó 1, que é o corpo receptor’’, explica Maria Josefa. Segundo as professoras, no lago são encontrados metais pesados, compostos orgânicos e compostos liberados por despejos urbanos, com destaque para os elementos fósforo e nitrogênio.
Esses elementos, explicam elas, contribuem para o desenvolvimento de algas, que absorvem grande quantidade de oxigênio. Consequentemente, falta oxigênio na água, o que tem causado a mortandade de peixes.
Em um trabalho recente de pesquisa, as professoras constataram também que os moluscos popularmente conhecidos como bivalves - encontrados no lago e que servem como alimentação para muitas pessoas - apresentam grande concentração de metais e dos elementos fósforo e enxofre.
‘‘A ingestão em grande quantidade desses elementos podem causar reações que proporcionem sintomas de toxidez, distúrbios gastrointestinais e cerebrais’’, observa a professora Sônia Gimenez. A equipe das professoras faz coletas mensais em oito pontos da Cidade para avaliar o que está sendo jogado nos rios e lagos.
Segundo elas, o índice de poluição do lago Igapó não melhorou em nada após a limpeza realizada pela Prefeitura no ano passado. ‘‘Pelo contrário, a situação do lago está ainda pior. Para ter morrido tilápia, uma tipo de peixe muito resistente, é porque a situação não está nada boa’’, comenta Maria Josefa.
A decisão de mandar amostras da água para análise da Companhia de Tratamento e Saneamento Básico de São Paulo (Cetesb) foi tomada na terça-feira pelos vereadores e outros representantes, após uma reunião na Câmara que discutiu o laudo do Instituto Ambiental do Paraná.
(Benê Bianchi)

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