Professoras ainda esperam prêmios do Vale Saber
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O velho ditado de que promessa é dívida não poderia ser mais adequado a um grupo de 14 professoras da rede estadual de ensino de Londrina. Desde janeiro, elas esperam o prêmio que seria entregue pelo concurso ''Vale Saber'', conferido pelo então governador Jaime Lerner (PFL) aos profissionais dos melhores projetos pedagógicos do Estado. Até agora, porém, o aguardado computador não passa de reivindicação expressa em um ofício repudiando o suposto descaso, enviado por intermédio do Núcleo Regional de Ensino (NRE).
Na época, foram premiadas iniciativas do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) e dos colégios estaduais Vani Ruiz Viessi (zona sul) e Vicente Rijo (centro). Com a mudança de governador, porém, alguns docentes temem que o prêmio não seja dado. ''Fomos incentivadas pelo prêmio; ficamos em primeiro lugar! Mas é frustrante não ver o resultado do trabalho reconhecido'', desabafou a professora de história do Vicente Rijo, Vera Lúcia Barroso. Junto com outras quatro colegas, ela coordenou o projeto que, reunindo 240 alunos de 5 e 7 séries, elaborou em seis meses de atividades o atlas histórico-geográfico de Londrina.
O micro novo, ela garante, está fazendo falta. ''A história muda a cada dia, e temos que estar atualizados através da internet para responder as curiosidades dos alunos'', contou. Já para a idealizadora do atlas, a professora de geografia Ivone Baioni Garcia, o não reconhecimento deixou de lado muito mais que o bem material: ''Além de passar noites em claro para deixar tudo pronto, tivemos de correr atrás de patrocinadores e tirar dinheiro do próprio bolso'', disse.
Da mesma forma esperam pela promessa as seis professoras de Educação Física do IEEL que, em um projeto de ensino de xadrez, transformaram mais de 1,9 mil alunos do ensino fundamental em monitores para os das séries iniciais. ''Montamos um centro de xadrez aqui na escola, depois disso, e, até agora, nada de computador'', afirmou a diretora-geral do Instituto, Rosicler Bueno. ''Como se não bastasse a indiferença, o Estado ainda não nos devolveu o projeto'', reclamou a professora Vilma Nórcia, uma das coordenadoras. A esperança de receber a recompensa pelo esforço dispendido em quase oito meses, contudo, ainda não acabou. ''Desvalorizado como é, o professor hoje é movido a esperança. E eu não desisto, nem que tenha de entrar com processo contra o governo para garantir o que é direito meu'', avisou.
As esperanças também não foram perdidas pela equipe do colégio Vani Ruiz Viessi. Muito pelo contrário. ''Ficamos tristes, mas foi mais gratificante ver o crescimento dos alunos'', explica a supervisora Rubinéa Aparecida Lopes, uma das quatro responsáveis pelo projeto que ensinou a 80 alunos do ensino médio como falar em público, com noções de postura, voz e dicção. ''Fizemos até um concurso de oratória'', orgulha-se. O computador que não veio, também não conseguiu comprar. ''Ganhei um recentemente, porque estava fazendo falta. Se fosse pagar, a situação se complicaria, pois seriam muitas parcelas'', apontou.


