Professora vai à Justiça contra médico de São Jerônimo da Serra
A professora Nádia Aparecida de Souza, 23 anos, de São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Cornélio Procópio), está entrando na Justiça para pedir indenização por uma disfunção renal que adquiriu durante o parto de sua terceira filha, no dia 26 de abril. Ela alega que chegou ao Hospital e Maternidade de Santa Cecília do Pavão com pré-eclâmpsia (pressão alta) e teve parto normal, feito somente por uma enfermeira. O diretor-clínico do hospital e obstetra Augusto Fujimora garante que acompanhou o parto.
Só se ele estivesse escondido debaixo da mesa, porque eu estava lúcida, apesar do mal-estar, e só vi a enfermeira me acompanhando, disse a professora. Segundo ela, o parto ocorreu às 6 horas da manhã e o médico só apareceu por volta das 10 horas. No momento do parto eu vi a enfermeira perguntando, por telefone, ao doutor Fujimora, o que faria porque minha pressão estava muito alta, disse Nádia.
Eu só perdi a consciência 30 horas depois. Fiquei todo este tempo com hemorragia e ninguém fez nada, afirmou. No dia 27, à tarde, foi feita uma curetagem para retirada da placenta. Segundo Nádia, o médico apontou um quadro hepático e decidiu que ela ficaria isolada, sem ver o bebê, que estava na incubadora por ter nascido prematuro. Ela teve alta no dia 29, sob a recomendação de ficar isolada.
A mãe de Nádia, Marta Barbosa de Souza, informou que no dia 1º de maio, a professora voltou ao hospital com pressão alta e, no dia seguinte, foi removida para Cornélio Procópio. Já fazia cinco dias que minha filha não urinava e último quadro apontado pelo médico é que ela teria pedra na vesícula, relatou Marta. Nádia foi submetida a sete sessões de hemodiálise e hoje corre o risco de ter os rins paralisados novamente.
O diretor-clínico do hospital Augusto Fujimora contesta as acusações e garante que acompanhou o parto. Ela não me viu. Nenhum dos nossos partos é feito sem acompanhamento médico, garantiu Fujimora. Segundo ele, Nádia chegou ao hospital com pré-eclâmpsia e, em consequência, com insuficiência renal aguda. Ela já chegou em período de expulsão. A criança nasceu muito rápido e a paciente apresentava a pressão 180 por 120, além de um quadro de icterícia, acrescentou.
Fujimora disse acreditar que Nádia já deveria estar com problemas de insuficiência renal antes, o que, para ele, deveria ter sido visto no período de pré-natal. Eu não posso afirmar porque não fui eu quem fez os pré-natais dela. Mesmo assim, ela foi socorrida a tempo, tanto é que está bem agora, argumentou o médico. Seria negligência médica se ela tivesse óbito por anemia aguda e infecções; ou a criança ter morrido, afirmou.
Porém, Nádia afirma que fez oito consultas de pré-natal com outro médico e em todas apresentou uma gravidez normal. Um mês antes do parto, senti dores na bexiga e fiz uma ultra-son com o próprio doutor Fujimora e ele disse que estava tudo bem.
Fundado há 30 anos, o Hospital e Maternidade de Santa Cecília do Pavão, atende uma média de 115 internamentos por mês e faz em média 60 partos, atendendo toda a região.Carlos AlmeidaMarta (esq.) e Nádia com o bebê: parto feito pela enfermeiraLuciane Tonon





