A professora Isaira Raimundo de Souza, 49 anos, tem cinco lesões no cérebro em consequência da toxoplasmose. Isaira é uma das vítimas mais graves das sequelas provocadas pela doença. Ela contou que descobriu que estava com toxoplasmose em julho de 2000.
Há quatro anos, Isaira se mudou para Curitiba, mas afirmou que quase não tem dúvidas de que adquiriu a doença em Santa Isabel do Ivaí. ‘‘Conheço relatos de ex-moradores que também descobriram que estavam com a doença’’, disse a professora.
Isaira está de férias na casa da irmã, a também professora Fátima Aparecida de Souza Franceoli, 43 anos. Dois filhos de Fátima estão com a toxoplasmose. A professora afirmou que a população ainda não está consciente do problema que atingiu o município. ‘‘Percebo que as pessoas ainda não se acordaram para a situação que enfrentamos e que ainda vamos enfrentar por causa da toxoplasmose’’, disse Fátima.
Fátima questionou a forma como a saúde pública está tratando o surto no município. ‘‘Que futuro tem meus filhos por causa da doença? E que segurança e garantia têm as pessoas que adquiriram a doença nesta cidade?’’, protestou a professora. ‘‘Eu consigo me socorrer num plano particular de saúde, mas e a grande maioria que só depende deste posto de saúde da cidade’’, questionou ainda Fátima.
No município, a doença atingiu mulheres grávidas. Na semana passada, a operária Irene Magalhães Vasconcelos, 29 anos, sofreu aborto em decorrência da toxoplasmose. Duas mulheres grávidas do município, uma com cinco meses e outra de oito meses de gestação, também estão com exames positivos da doença.

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