O contracheque da professora Maria Rosa, 35 anos, 10 deles dentro de uma sala de aula, serve de exemplo para justificar o pedido de um plano de cargos e salários. Formada em História e pós-graduada, ela recebe R$ 660,00, pouco mais - R$ 200,00 - que um professor em início de carreira. Ela se diz uma vítima do Estado. ‘‘Acho que os professores são vítimas do estado brasileiro, que fez questão de destruir a educação pública’’, afirma.
A professora acredita que a ruína do sistema educacional público faz parte de um plano proposital, que teve início com a ditadura militar. ‘‘A estratégia é quebrar a escola pública, desvalorizar o professor, para depois privatizar as escolas’’. Maria Rosa afirma que os governantes retiraram todas as condições que permitiam aos professores lecionar e não tem esperança na geração que ela própria educa. ‘‘Pelos próximos 20 anos o Brasil vai continuar na mesma situação de dependência, de desigualdade social.’’
A professora Eliane Nogarotto não consegue se contentar com os R$ 340,00, que recebe pelas 20 horas de trabalho semanais. ‘‘Pelo que estudei, eu deveria ganhar pelo menos uns R$ 750,00’’, afirma. O sindicato da categoria propôs que um professor com as qualificações de Eliane - curso superior - receba mais de mil reais.
Historicamente, porém, os salários têm diminuído e não o contrário. ‘‘Me lembro que quando entrei na prefeitura dizia que tínhamos que cuidar ou íamos ganhar a mesma coisa que um motorista de ônibus. Hoje ganhamos menos’’, conta Maria Rosa. ‘‘Sem desmerecer a profissão de motorista, nossa função social é muito maior’’, compara.

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