Professora reclama de ação policial em clínica de Cianorte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de julho de 1998
Marccio W. Varella 
A professora municipal Marlene Balan Melão acusou ontem a Polícia Civil de Cianorte de não respeitar seus direitos constitucionais. Ela disse à Folha por telefone que estava sendo atendida na clínica Golden Vida - Terapias Naturais, terça-feira, quando por volta das 10 horas agentes policiais comandados pelo delegado Nelson Tavares invadiram a clínica.
A clínica foi fechada porque a polícia constatou, segundo informações do delegado Tavares, que seus donos eram charlatães, se faziam passar por médicos.
Ela contou que fazia massagem estética na clínica. Estava quase terminando a massagem quando os policiais entraram de modo grotesco e me levaram para depor na delegacia. Segundo Marlene, ela depôs como testemunha mas não teve seus direitos respeitados. Não me deixaram mostrar meus documentos e nem permitiram que eu fosse à delegacia em meu carro, contou.
O mínimo que eles poderiam fazer era pedir meus documentos e combinar dia e hora para eu depor, já que sou apenas testemunha, disse Marlene. Ela afirmou não ter nada contra a ação policial. Na delegacia, continuou Marlene, ela desmaiou três vezes, pois, segundo ela, tem pressão alta e taquicardia. Após o terceiro desmaio, os policiais pediram a ambulância para levá-la até um hospital.
Na cidade, todos comentam que fui presa. Ora, tenho filhos, sou professora da prefeitura há 15 anos, tenho curso de pós-graduação em pedagogia. Sei o que falo e o que faço. Isso não é jeito de tratar uma cidadã, concluiu.
O delegado Nelson Tavares não foi trabalhar ontem à tarde. Segundo seus funcionários, estava de cama, doente.


