Professora propõe cão-guia para cegos
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sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Implantar um projeto de cão-guia e adaptar as ruas e construções públicas para melhorar a vida dos portadores de deficiências visuais são algumas das idéias que a professora de educação física e instrutora de orientação e mobilidade, Rosa Maria Novi, pretende colocar em prática em Londrina. Ela acaba de chegar da Inglaterra, onde participou do 10º Congresso Internacional de Orientação e Mobilidade, que aconteceu na Universidade de Warwick.
Durante o congresso, a professora apresentou um vídeo produzido por ela sobre o trabalho de orientação e mobilidade por amostragem realizado no Norte do Paraná através do Núcleo Regional de Educação. Com o vídeo eu quis mostrar para o mundo como é feito esse trabalho aqui no Brasil, disse.
Segundo Rosa Maria, um dos temas mais debatidos no evento foi a utilização de cães-guia no auxílio à locomoção dos deficientes visuais. Os cães substituiriam as bengalas. Pretendo implantar esse projeto aqui. Ter um cão-guia é um direito do deficiente. Eu gostaria que Londrina fosse a primeira cidade do Paraná a ter esse projeto, disse.
Florianópolis, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro já começam a dar os primeiros passos para popularizar os cães-guia. Na capital catarinense existe uma escola de treinamento para deficientes visuais que pretendem usar cão-guia para se locomover. Cães da raça labrador são os mais utlizados para esse tipo de adestramento.
Rosa Maria ressalta que nem todos os cegos ou deficientes visuais podem utilizar um cão-guia para se deslocar. É preciso analisar cada caso. Além da condição física é preciso levar em conta a condição financeira, porque ter um cão-guia pode ter um custo que nem todos podem pagar, explica.
Justamente por não ser acessível a todos, Rosa Maria espera ajuda de empresas e órgãos interessados em patrocinar o projeto. Para o deficiente pode ser caro ter e manter um cão-guia, mas para uma empresa isso não siginifica nada, compara. A professora prevê que em dois anos a locomoção de deficientes visuais com o auxílio de cães será comum no País.
A dificuldade dos deficientes em transitar pelas ruas e prédios públicos por causa da falta de pisos antiderrapantes e pistas construídas especialmente para eles é outra preocupação da professora. Ela cita como exemplo a rodoviária de Londrina.
A construção em círculo dificulta muito a locomoção dos deficientes. Pretendemos começar a adaptar esses locais para facilitar a vida dos cegos. Sabemos que não será fácil, mas as grandes cidades já estão se adaptando e não podemos deixar essa questão de lado, disse. Segundo cálculos da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina, cerca de 500 cegos e deficientes visuais vivem na cidade. Somente no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos estão matriculados 108 alunos.


