Professora perde bebê após agressão de aluno
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terça-feira, 27 de março de 2007
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Desde que estudantes do ensino fundamental noturno do Colégio Estadual Padre José Herions foram transferidos para o Colégio Estadual Professor Francisco Villanueva, no início do ano passado, a vida dos alunos e professores da escola da Vila Oliveira, em Rolândia, nunca mais foi a mesma.
De acordo com o diretor do colégio Villanueva, Marco Antonio dos Santos, a violência e o medo imperam nas aulas do período noturno. Pelo menos 60 dos 600 alunos apresentam problemas de indisciplina. Apesar de ser um colégio de vila e atender dez bairros da periferia da cidade, o ambiente sempre foi tranqüilo até a chegada destes alunos, avaliou o diretor.
Ele contou que na última sexta-feira, a professora de língua portuguesa deixou o colégio bastante nervosa depois de discutir com um aluno em sala. Ela pediu que o aluno fizesse a tarefa e ele respondeu que não iria fazer porque não ia com a cara dela e que não era nem para ela olhar para ele, relatou. Ela tentou convencê-lo, mas ele não quis conversa e ela acabou saindo da sala chorando, completou o diretor.
Segundo ele, os pais do estudante foram chamados à escola. Mesmo assim ele ameaçou a professora, dizendo que aquilo não ia ficar assim. Ela também foi seguida por um carro enquanto voltava para casa. Grávida de dois meses e meio, a professora precisou ser hospitalizada por causa de um sangramento. Os médicos optaram por interromper a gravidez, informou Santos, ressaltando que a professora, que preferiu não se identificar, permanece internada em observação.
No início do mês, outro aluno precisou ser controlado por quatro professores, que o impediram de agredir o vice-diretor da escola. A patrulha escolar foi acionada e o adolescente foi encaminhado à delegacia, disse Santos. Segundo ele, ameaças de morte, alcoolismo, tráfico de drogas, roubo de lâmpadas, depredação das portas dos banheiros são apenas alguns dos problemas enfrentados diariamente pelos professores das turmas do ensino fundamental noturno.
A indisciplina é tanta que já está contagiando os alunos do ensino médio, afirmou a professora de história Luciana Amaral Fernandes de Souza. Já tinha experiência com alunos de quinta a oitava séries do ensino diurno, mas a realidade do noturno é muito diferente. Eu sinto que estou em sala para evitar conflitos entre os estudantes e não para ensinar, desabafou a professora, que se disse motivada a continuar apenas em nome dos poucos alunos que ainda estão interessados em aprender.
O perfil dos arruaceiros é semelhante: adolescentes entre 14 e 17 anos que não conseguiram completar o ensino fundamental ou que foram obrigados pela Justiça a finalizar os estudos. Um deles é suspeito de três tentativas de homicídio por arma de fogo e ainda chega na escola bêbado, lembrou o diretor.
Ele disse que já entrou em contato com a chefia do Núcleo Regional de Educação, mas não obteve resposta. Depois do incidente envolvendo a professora de português na semana passada, Santos resolveu encaminhar um documento por escrito, descrevendo o ocorrido. Mandei o documento hoje (ontem) por fax e via malote e agora é esperar uma resposta. Não temos condições de cuidar desses alunos sozinhos. Eles precisam de psicólogos e psicopedagogos, concluiu o diretor.
A reportagem da FOLHA tentou contato com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Geni de Lourdes Perineto, mas foi informada de que ela estaria numa reunião.


