Professora não foi atendida pelo IPE
Giovani Ferreira
De Curitiba
Os servidores estaduais começam a sentir na pele os problemas causados com suspensão do atendimento médico-hospitalar pelo Instituto de Previdência do Estado (IPE). O caso da professora Denise Yarema, 47 anos, revela que nem mesmo as situações mais graves, que precisam de um atendimento imediato, estão sendo garantidas pelo IPE.
Funcionária do Estado há mais de 20 anos, Denise teve um câncer de mama e agora precisa fazer uma cirurgia reparadora, para reconstruir parte do tecido muscular. Apesar de possuir vários pareceres médicos apontando a necessidade da cirurgia, a professora teve o seu atendimento negado pelo IPE. A demora na cirurgia está causando problemas na coluna da professora.
Denise está tentando conseguir a cirurgia desde o dia 19 de julho. A resposta negativa do IPE veio na última sexta-feira. Segundo a professora, na ocasião um funcionário do IPE teria lhe aconselhado a procurar o representante da ParanáPrevidência, que por sua vez teria dito que não tinha nem idéia de quando a cirurgia poderia ser autorizada.
Trabalhando atualmente como professora do Centro de Educação Aberta e Continuada à Distância (Cead), Denise tem um desconto em folha de pagamento, em valores destinados ao IPE e agora ao ParanáPrevidência, de aproximadamente R$ 360,00. Com esse valor eu poderia pagar um excelente plano de saúde, disse Denise, condenando a cobrança obrigatória imposta pelo governo.
Indignada com a situação, a professora agora vai fazer um empréstimo para pagar a cirugia, que custa em torno de R$ 3 mil. Denise sente-se traída e enganada pelo governo.
A professora faz uma ressalva aos médicos que atendem pelo IPE, entendendo que eles também são vítimas do sistema. Denise explicou que foi muito bem atendida pelos médicos, mas desprezada quando mais precisou do IPE.
Na avaliação da servidora, o Estado poderia pelo menos ter o bom sendo de não descontar valores absurdos dos funcionários. Se ele reduzisse pela metade os descontos, os servidores teriam a opção de poder pagar um plano de saúde particular, sugere Denise.
Assim como a professora curitibana, milhares de segurados do IPE devem estar enfrentando inúmeras dificuldades de assistêcia médica em todo o Estado. De acordo com a Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), a suspensão no atendimento já atinge quase 100% dos estabelecimentos hospitalares. O atendimento pelo IPE não deverá voltar ao normal sem que haja uma decisão conjunta de toda a categoria. O pagamento feito na segunda-feira pelo governo, referente a apenas um dos oito meses em atraso, foi considerada uma atitude paliativa, que não ameniza em nada os problemas enfrentados pelos hospitais.





