Professora morreu antes de cair de prédio
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sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
O laudo do Instituto de Criminalística de Londrina (IC) divulgado ontem concluiu que a professora de música Maria Estela Correia Pacheco, 35 anos, já estava morta quando foi atirada do 12º andar do Edifício Diplomata, na Rua Paranaguá. O apartamento é do agricultor Mauro Janene da Costa, 34 anos, que é acusado de ter jogado o corpo.
A localização de manchas formadas pela decantação do sangue após a morte (manchas hipostáticas) e a distância em que o corpo caiu são as provas, de acordo com o laudo, de que a professora morreu e depois foi arremessada do prédio a uma altura de 36 metros. O crime aconteceu no dia 14 de outubro.
O chefe do IC, Geraldo Oliveira Filho, explicou que estas manchas começam a se formar assim que a pessoa morre. O sangue pára de circular e fica sob o efeito da gravidade. Nesta condição, decanta-se conforme a posição do corpo formando as manchas.
Segundo o perito do IC, José Denilson dos Santos, no caso de Estela, o lado em que as manchas se formaram não estava congruente com a posição do corpo. Isso evidencia que ela não morreu na posição em que foi encontrada. O chefe do IC afirmou ser difícil precisar o horário em aconteceu a morte, mas acredita que tenha sido, no mínimo, uma hora antes de ser jogada.
A suposição é feita com base no tempo entre o surgimento dos primeiros pontos vermelhos (10 minutos após a morte) e a formação das manchas hipostáticas de forma visível (1 hora e meia após a morte). A estimativa é que o corpo tenha sido atirado por volta das 5h40 da manhã. Os peritos chegaram no local por volta das 6h50. Neste momento, conforme mostram as fotos tiradas, as manchas já estavam completamente visíveis.
Outra evidência é a distância em que o corpo caiu em relação ao prédio: 2,20 metros. Segundo o perito Denilson dos Santos, se ela tivesse caído a distância seria de 1,50 metro e se tivesse pulado seria de 3 metros. Apesar de o laudo do IC comprovar que a vítima foi jogada depois de morta, a delegada que está presidindo o inquérito policial, Waldete Testone, afirmou que não é possível dizer que ela foi assassinada.
A causa da morte, segundo ela, depende da conclusão do laudo do Instituto Médico-Legal (IML). O médico legista Rogério Eisele disse que a conclusão depende do resultado do exame toxicológico que está sendo realizado em Curitiba. Este exame, segundo ele, fica pronto no próximo dia 20.
O IML, de acordo com Eisele realizou a exumação do corpo 15 dias depois da morte devido aos elementos novos (relação entre a posição em que o corpo foi encontrado e a localização das manchas hipostáticas) levantados pelo IC. Eisele não quis adiantar se há indícios de que Estela tenha sido assassinada antes de ser atirada da sacada do apartamento.
A delegada já ouviu seis pessoas, cinco que estavam com Estela momentos antes de sua morte. A delegada afirmou que nos depoimentos foi levantada a informação de que Mauro Janene se torna violento em determinadas situações, como na hora do ato sexual.
Os próximos depoimentos serão também de pessoas ligadas a ela. O Mauro Janene será o último a ser ouvido, afirmou. Segundo ela, não há motivos para pedir sua prisão preventiva já que ele tem endereço fixo e não saiu de Londrina. Mesmo que não seja comprovado homicídio, Mauro Janene irá responder por ter jogado o corpo da sacada. De acordo com o artigo 347 do Código Penal ele poderá pegar de seis meses a quatro anos de detenção por dificultar o trabalho da polícia, segundo a delegada.
A Folha tentou falar com o advogado dele, Mauro Vioto mas não conseguiu localizá-lo. A família da professora preferiu não se manifestar.


