Cianorte
Em Cianorte, cidade com 45 mil habitantes no Noroeste do Estado, uma gravidez chamou mais atenção e está incomodando mais a Igreja Católica que a gravidez de Xuxa, acusada de dar mau exemplo ao anunciar que está grávida solteira. No sexto mês de gestação, a professora Karla Roberta dos Santos, 20 anos, espera um filho do padre Wilson Galbiati, 28 anos, que até há um mês respondia pela paróquia da Igreja Matriz. Os católicos ficaram chocados e o assunto tornou-se obrigatório em todas as rodas, por mais que a Igreja se esforce para abafar o escândalo.
Os moradores da cidade estão divididos. Uns acham que o padre deve abandonar o sacerdócio e casar. Outros opinam que ele deve permanecer na Igreja e assumir apenas o filho. Embora cada um tenha sua opinião, é difícil encontrar alguém disposto a defendê-la publicamente.
Para o empresário Moisés Tigrão de Camargo, 48 anos, o padre deve largar a batina e se casar. ‘‘Depois do que ele fez, não tem mais credibilidade para defender a moral e os bons costumes junto aos fiéis’’, diz Camargo. Já o jornalista Leonir Borges, 33 anos, acha que o padre não deve se casar apenas para salvar a honra. ‘‘Se a vocação dele é ser padre, esse erro não é motivo para desistir’’. Para Borges, a Igreja Católica precisa repensar o dogma do celibato.
Alheios aos palpites da população e muito revoltados, os pais da moça querem que Galbiati repare o erro, casando-se com ela. ‘‘É a única atitude digna que ele pode tomar agora’’, diz o pai, o vendedor Aparecido Flauzino dos Santos. Coordenador paroquial da Paróquia Sagrada Família, Santos está revoltado com a diocese que estaria pressionando o padre para ficar na Igreja. ‘‘Antes o bispo (dom José Maria Maimone, da diocese de Umuarama) e os padres frequentavam a minha casa. Depois disso, ninguém mais apareceu’’, lamenta.
O padre Wilson Galbiati, no entanto, continua visitando Karla. Ela diz que os dois estão apaixonados e que vão ficar juntos. ‘‘Ele pediu um tempo para resolver a situação dele na Igreja, arrumar casa e emprego’’, conta. A diocese afastou Galbiati que está morando com a irmã em Umuarama.
Galbiati estava em Cianorte desde que se ordenou padre, há dois anos. As mulheres descrevem o padre como boa pinta, vaidoso (usa aparelho nos dentes) que frequentava festas e costumava beber. Era um ídolo entre os católicos mais dedicados e ninguém acreditou quando começaram a circular os boatos de que tinha engravidado uma mulher. A Folha não conseguiu econtrar o padre. Dom Maimone não quer comentar o escândalo.
O romance entre o padre e a professora começou em janeiro. Os dois se conheceram na casa dela, durante uma visita do padre à família. ‘‘Ele passou a visitar nossa casa com frequência e a buscá-la para atividades da Igreja, mesmo pertencendo a paróquias diferentes’’, conta a mãe de Karla, Maria do Carmo. O padre passou a buscar a professora no ponto do ônibus para a UEM, onde Karla cursa matemática. Os dois namoravam no carro.
‘‘Eles nos contaram há cerca de um mês, quando não dava mais para esconder a barriga. Fomos os últimos a saber’’, reclama o pai. O bebê, um menino, nasce em março. A família de Karla parou de ir à missa, constrangida com os olhares e comentários de que são alvos.

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