Professora faz denúncia de viagens sem permissão
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quinta-feira, 09 de julho de 1998
Paulo Pegoraro 
A professora Susan Mara Turcatel, 37 anos, está denunciando irregularidades na liberação de professores da rede estadual de ensino para férias na Europa, inclusive para assistir a Copa do Mundo na França. Susan, que foi exonerada da função de professora de educação física pelo mesmo motivo, afirma que há acobertamento de irregularidades, entre elas a falta da autorização que deve ser dada diretamente pelo governador do Estado para funcionários públicos se ausentarem do País, e a não anotação de falta pelas escolas.
Segundo Susan, que agora é orientadora esportiva do Município, algumas irregularidades já haviam sido relatadas por ela à Ouvidoria Geral do Estado há oito meses, mas como entendeu que houve descaso, no final de junho voltou a cobrar providências, citando novos casos. A Folha teve acesso aos documentos, nos quais são nominados professores que tiraram férias e os que os liberaram.
A professora também denuncia a chefe do Núcleo Regional de Educação, Marise Luvison, por acobertar amigos e protegidos. Susan Mara Turcatel era concursada, cumpria estágio probatório há 1 ano e meio na Escola Estadual São Cristóvão, e foi exonerada por ato do governador em outubro de 97, depois de processo administrativo, por ter viajado para a Europa no mês anterior, sem autorização, e ter deixado de dar dez dias/aula. Ela recebia salário de R$ 320,00, e ficou 28 dias no exterior, pagando a viagem em prestações de dois anos, afirmou.
A professora relata que se dispôs a repor as aulas e que a diretora da escola, Sirlei de David, não citou a necessidade de autorização para viajar. Com ela, no mesmo grupo, viajaram os professores Maria Emilia Rosa, da mesma escola, que recebeu apenas advertência, e Carlos Calssavara, funcionário do Núcleo, autorizado pela chefa. Mesma situação envolve Adriana Piovesan Ruis Dias, professora e vice-diretora da Escola São Cristóvão, que foi à França - em 95 ela esteve nos Estados Unidos, igualmente sem autorização.
Susan Turcael aponta ainda como tendo viajado para a Europa de forma irregular as professoras Geni Possamai, da mesma escola, e Deise Maffei, da Escola Washington Luiz. Todos teriam sido acobertados pela direção e pela chefe do Núcleo. Procurada pela Folha, Marise disse que em alguns casos houve punições, com desconto no salário e advertência, e outros estão sendo analisados.
A respeito de Carlos Calssavara, seu subordinado, admite que ele não tinha autorização do governador, mas observa que trocou o período de férias para viajar. Ele não dá aulas em escolas estaduais, completou. Marise Luvison nega acobertamentos e afirma que Susan Turcatel foi denunciada pela diretora da escola onde atuava, e que no curso do processo ela só se preocupou em agredir, em vez de se defender.


