Professora é contra os escolões
Investir na formação e na qualificação do professor brasileiro é necessário, mas não da maneira como vem sendo conduzida pelo governo. A opinião é da professora Leda Scheibe, da área de Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. A professora esteve em Londrina, na última quinta-feira, onde falou sobre Os Institutos Superiores de Educação no contexto das políticas atuais para a formação do profissional de educação, na Semana de Educação, promovida pela Unopar e pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Leda Scheibe critica a criação dos Institutos Superiores de Educação - escolas credenciadas exclusivamente para trabalhar com cursos de formação de professores licenciados. Ela explica que com a aprovação e sanção presidencial da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em dezembro de 1996, ficou instituído que todos os professores do ensino básico - que compreende a educação infantil até o ensino médio - devem ter formação superior. Essa determinação vale a partir do ano 2.007.
Ao mesmo tempo, a Lei diversificou o ensino superior, criando os Institutos Superiores de Educação, que já estão sendo normatizados pelo Conselho Nacional de Educação. Ou seja, afasta-se a formação de professores da universidade, que trabalha com todas as áreas do conhecimento, para criar escolões. A qualidade continua comprometida, afirma. A professora defende que esses institutos atuem apenas em locais onde não existe universidade.
Na opinião de Leda Scheibe, uma ação positiva da política governamental foi extinguir os cursos de magistério. A educação fundamental (1ª a 8ª série) é a base da construção do conhecimento e da formação das pessoas. Precisamos de professores muito bem preparados para termos educação de qualidade. E isso se alcança na universidade. Leda Scheibe lembra também que há um grande número de professores leigos atuando nas escolas brasileiras. Das quase 1,5 milhões de funções docentes do ensino fundamental 5% são exercidas por pessoas que não tem a 8ª série. Entretanto, Leda Scheibe acredita que a exigência do curso de nível superior para o exercício da profissão de professor pode gerar um processo de exclusão ainda maior. Com essa exigência, os salários também seriam maiores. Assim, o ensino em municípios pobres ficaria inviabilizado. A solução, segundo ela, seria a participação dos Estados e da União no financiamento educacional.Josoé de CarvalhoLeda Scheibe, da Universidade Federal de Santa Catarina: adoção dos escolões acaba comprometendo a qualidadeJosiane Schulz





