A professora de história formada pela UEM Teresa de Fátima, 29 anos, o marido artesão Pedro Carlos Thomaz, 41, e a filha Amona Jinlê, 4, moram há quatro anos num barraco de madeira na periferia do bairro Conjunto Guaiapó, a cinco quilômetros do centro de Maringá. A casa fica a 100 metros do barraco de Clair e Manoel Francisco (ver matéria nesta página).
Ao lado de um ribeirão poluído, Pedro e Teresa plantaram manga, mandioca, milho, banana e cana. Pedro tem quatro cavalos que o ajudam na roçada. Os dois cozinham e vivem do que a terra dá e do artesanato de Pedro, baiano de Bonfim de Vila Nova. Ela é de Atalaia (53 km ao norte de Maringá).
‘‘Nós construímos o barraco com as nossas mãos, nesta terra que ninguém sabe direito a quem pertence mas que, por direito universal, pertence a nós, que estamos cuidando dela com carinho e amor’’, disse Teresa. Pedro é descendente de negros e índios, e pensa em fazer o supletivo; ela é loura e estudiosa. A filha, uma mistura de raças com olhos que chamam a atenção de longe.
‘‘Viemos morar aqui por opção e também porque não temos como pagar aluguel, água, luz’’, explicou a professora. ‘‘Graças a Deus, não temos telefone e nem TV’’, completou Pedro. Amona brinca por perto, no mato, com seu cachorrinho. ‘‘Não passamos fome; o tempero de Pedro é maravilhoso’’, elogiou Teresa, que está grávida de seis meses.
O chão da casa é de terra batida, sempre varrida. Móveis velhos, apesar do desgaste, mostram que são limpos. Tudo é limpinho no barraco. Do fogão ao poço artesiano. ‘‘Sou detalhista e organizada’’, afirmou.
Teresa já escreveu um livro, ‘‘Caminhos do vento’’, e está escrevendo outro, a continuação do primeiro. ‘‘São frutos de viagens que fiz pelo país, de caminhadas, mas infelizmente não tenho como editar o que já está pronto’’, lamentou. Depois de ter o bebê, ela diz que voltará a lecionar no 2º grau. Teresa é despachada, tranquila, seu marido também. Não lamentam morar num barraco (‘‘só tem uma goteira’’). ‘‘Gostamos muito daqui. A vida aqui é mais natural, mais bonita, sem correria’’, justificam.Marcos NegriniQuestão de opçãoTeresa, Pedro e Amona no barraco: ‘‘Viemos morar aqui por opção e também porque não temos como pagar aluguel, água, luz. Não temos telefone, nem televisão e não passamos fome’’Marccio W. Varella

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