O Tribunal do Júri de Maringá absolveu por cinco votos a favor e dois contra a professora Valdeci Batista de Oliveira, 46 anos, acusada de ter mandado matar seu ex-marido, o sanitarista Alípio Alves de Oliveira, 49 anos, em junho de 1992. O promotor público Edson Cemensati tem cinco dias para recorrer da decisão do júri. A professora mora atualmente em Cascavel. Os assassinos estão foragidos até hoje e nem sequer foram identificados pela polícia.
Valdeci teve a prisão temporária decretada em 1992; ela confessou ter contratado dois pistoleiros em São Paulo, de prenomes Evair e Genésio, para matar Alípio, de quem havia se separado há sete anos. Ao juiz José Camacho dos Santos, Valdeci contou ontem que decidiu matar o ex-marido porque não suportava mais as surras que levava dele diariamente, mesmo depois de separada.
Alípio foi assassinado por dois desconhecidos às 22h30 do dia 2 de junho de 1992, na porta de um colégio no bairro Vila Operária, em Maringá; ele aguardava a namorada Elaine C.M., de 15 anos. Dois desconhecidos se aproximaram de seu carro e dispararam três tiros contra o peito e rosto de Alípio, que morreu na hora.
A polícia de Maringá iniciou as investigações e descobriu, através de denúncias dos próprios filhos do sanitarista, que a vítima estava envolvida em tráfico de drogas e furto de veículos. Trinta dias depois da morte de Alípio, a polícia prendeu Mário Antônio Camargo e José Luiz de Oliveira, ambos de Maringá. Eles disseram que a professora Valdeci os havia procurado e oferecido, em dinheiro da época, Cr$ 10 milhões para que eles matassem Alípio.
Valdeci contou que como esses dois se recusaram a fazer o ‘‘serviço’’, foi a São Paulo onde contratou os dois pistoleiros, pela mesma quantia. Eles foram pagos com dinheiro da poupança e da venda de um carro de sua propriedade. Os maus-tratos do ex-marido e o fato de a polícia não ter ainda pistas dos assassinos pesaram bastante na decisão do Tribunal do Júri. O julgamento começou às 9 horas e só terminou às 3 horas de ontem.

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