Professora diz que situação é artificial
''A inexistência de favelas em Maringá é uma situação artificial. Não adianta querer criar um oásis porque nossa realidade é de miséria e desiguldades crescentes.'' A avaliação é da professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Ana Lúcia Rodrigues, doutora em sociologia urbana.
A professora explica que a situação atual é resultado do planejamento urbano dos primeiros anos da cidade, da elaboração precoce de um Plano Diretor e do respeito ao Código de Posturas. Segundo ela, foi prevista a criação de áreas residenciais para classes distintas: principal, operária e popular. ''E também houve um absoluto controle da ocupação do espaço urbano'', comenta Ana Lúcia, que é coordenadora do Núcleo da Região Metropolitana de Maringá do Observatório das Metrópoles, rede formada por pesquisadores de todo o País.
As favelas que se formaram nos anos 1960 e 1970 foram erradicadas no mandato do prefeito Silvio Barros, pai do atual chefe do poder executivo. Os políticos que ocuparam o cargo no decorrer dos anos mantiveram a postura e impediram a formação de barracos e cortiços.
Para Cícero Isaías de Siqueira, diretor de habitação da prefeitura de Sarandi, o processo de desfavelização em Maringá não acabou com as favelas da cidade mas fez com que elas se transferissem para as cercanias, como Sarandi e Paiçandu.
Siqueira estima que hoje entre 80 e 100 famílias vivam em barracos em Sarandi. Ele cobra uma maior integração das administrações da região metropolitana de Maringá para resolver o problema. ''Agora estamos trabalhando para atender as pessoas de baixíssima renda, diferentemente da política de Maringá'', ressalta. (F.R.F.)





