A professora Rosângela Dalle Molle, 34 anos, foi absolvida pelo Conselho de Magistério da Secretaria Estadual de Educação das acusações feitas contra ela pela diretora da escola estadual de 1º grau Filipe Silveira Bittencourt, de Marialva (a 17 km de Maringá), Leonilda Vignotti. Rosângela foi acusada de ter dificuldades no relacionamento com os alunos.
A queixa foi encaminhada em junho de 97 ao Núcleo Regional de Educação, em Maringá, e se transformou em um processo administrativo. A direção da escola decidiu afastar temporariamente a professora, responsável pelas aulas de português e inglês. Rosângela retornou à escola no dia 12 de junho. Os alunos, porém, não aceitaram a volta da professora e protestaram em frente à escola, com faixas e cartazes.
O protesto teve adesão de quase todas as salas de aula, provocando tumulto. Conforme reportagem publicada pela Folha no dia 13 de junho, um soldado da PM entrou armado de metralhadora no pátio do colégio. Enquanto o Conselho de Magistério, que se reúne em Curitiba, decidia o futuro da professora, o Núcleo Regional de Maringá transferiu Rosângela para outra escola no mesmo município, onde ela continua até hoje.
O Conselho de Magistério se decidiu pela inocência de Rosângela no dia 02 de outubro de 97. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 30 de outubro, assinada pelo secretário de Educação, Ramiro Warhaftig. Somente agora a professora decidiu divulgar o resultado do julgamento de seu processo.
Em carta manuscrita, Rosângela diz que foi ‘‘vítima de falsas acusações, calúnias e difamações’’ por parte da diretora da Escola Felipe Silveira Bittencourt, Leonilda Vignotti, e do presidente da APM (Associação de Pais e Mestres), Genesi Antônio Bertolini. ‘‘Mas provei minha inocência, fui absolvida pela SEED e consegui deixar evidente o complô armado para mim por um pequeno grupo. Tudo o que houve foi fruto de pura inveja quanto aos meus títulos e à posição que ocupa minha família, fato que se estendeu até mesmo ao meu pai’’, afirma.
Na carta, Rosângela diz que no dia do tumulto na escola tanto Bertolini como Leonilda solicitaram a saída dos alunos das salas de aula. ‘‘Inclusive daqueles que não eram meus alunos, fazendo com que os mesmos saíssem nos arredores da escola sem sequer pensar em qualquer acidente que pudesse vir a ocorrer com esses’’.
O assistente técnico da Assessoria Jurídica da Secretaria de Educação, Jurandy Seyer, em parecer sobre o processo da professora encaminhado ao Conselho de Magistério, disse que ‘‘percebe-se que a direção da escola, ao invés de procurar conciliar os ânimos exaltados com o retorno da professora, autorizou o presidente da APM a ingressar em sala de aula e pedir que os alunos decidissem se queriam ou não continuar na sala, o que também foi feito pela própria diretora momentos após’’.

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