Imagem ilustrativa da imagem Professora de dança japonesa recebe título de Cidadã Honorária de Londrina
| Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

Na próxima sexta-feira (23) a professora de dança Sumiko Murakami, 81, receberá o titulo de cidadã honorária de Londrina. “Nem sei se mereço. Fiquei muito tensa ao receber a notícia”, declara a professora de dança clássica japonesa, que se especializou no estilo Hanayagi Ryu, um dos mais antigos do Japão. Em 47 anos ensinando a dança japonesa (adaptando alguns movimentos para criar um estilo mais atrativo para os brasileiros), já passaram por suas mãos mais de 2,5 mil alunos de todas as idades, desde crianças até pessoas da terceira idade.

Natural de Rancharia (SP), ela foi iniciada na arte da dança ainda na infância e veio a Londrina aos 17 anos, em 1955. “Antigamente os pais mudavam de cidade para lá e para cá. Como eu tinha parentes aqui, eles resolveram vir para cá”, relembra a professora sobre o período em que muitos japoneses e seus descendentes procuraram o município em busca da riqueza do café. Logo que chegou passou a fazer teatro amador na comunidade nipo-brasileira.

Por causa de sua desenvoltura no palco e fluência no idioma nipônico, passou a ser reconhecida pela comunidade nipo- brasileira. Durante quatro anos ela foi apresentadora do programa Nipônica, transmitido inicialmente pela rádio Difusora e depois pela rádio Auriverde, totalmente no idioma japonês. “Eu tinha que falar os acontecimentos da cidade, comunicar avisos e fazer anúncios de lojas”, relembra. A atividade de informar a comunidade nikkey durou até 1961.

Posteriormente, ela teve aulas de dança japonesa com a professora Mieko Noemi, adepta do estilo conhecido como Hanayagi Ryu, um dos cinco grandes estilos de dança clássica existentes no Japão (nihon buyô) e é a maior vertente da dança tradicional japonesa. “É um dos estilos mais antigos do Japão. Ele veio do kabuki”, explica a professora. “Como eu já tinha experiência no teatro, sabia manusear a espada samurai e os leques. Como essa dança também usa esses dois objetos, para aprender a dança não foi tão difícil”, relata.

O Hanayagi Ryu é considerado um estilo de dança clássica no Japão, criado por Yoshijiro Nishikawa, em abril de 1848, na Era Edo. Mesmo com a modernização dos movimentos da dança promovida no século 19, o estilo ainda parecia lento para os padrões brasileiros, segundo avaliação de Murakami. Quando sua professora retornou ao Japão, em 1972, ela assumiu o posto de professora de dança da escola e acabou implantando movimentos mais amplos e rápidos, aproveitando melhor o espaço do palco. Com isso criou um estilo nipo-brasileiro,
mantendo as bases da dança clássica japonesa.

“No começo fomos ensaiando o que eu havia aprendido. Mas depois aumentou o número das alunas e ficava repetitivo ensinar sempre a mesma coisa, com as mesmas músicas. Tive que dar um jeito e aí estudei bastante para fazer coreografias próprias”, destaca, explicando que fez muita pesquisa antes de fazer as mudanças. “Implantei movimentos mais rápidos e mais viradas de corpo.”

Com a experiência de 47 anos, ela ressalta que para ensinar a dança é preciso escolher a música certa para cada pessoa. "Só de olhar os movimentos sei que tipo de música combina para cada pessoa”, afirma. Para dançar, ela revela que é preciso incorporar a personagem. “É preciso, senão não consigo transmitir para as alunas. O gesto e o olhar são importantes. Quando eu danço, eu rezo para não errar no palco. Quando tudo sai certo fico contente”, destaca.

"O gesto e o olhar são importantes", ensina a professora  Sumiko Murakami
"O gesto e o olhar são importantes", ensina a professora Sumiko Murakami | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

COREOGRAFIAS INÉDITAS

O engenheiro agrônomo aposentado Júlio Takahashi,69, diz que passou a ser entusiasta do trabalho de Murakami quando sua esposa Alice se tornou aluna dela. “Na dança japonesa eu não conheço ninguém com essa dedicação, então eu e minha esposa sugerimos ao vereador Eduardo Tominaga que a Câmara concedesse essa condecoração”, destaca. “Temos que manter a tradição japonesa, passar de geração em geração."

Alice, 67, conta que começou a dançar depois de se aposentar. “Fiquei encantada. A dança vem de dentro da gente e vai fluindo. No happyokai essas coreografias são inéditas, então a gente não sabe o que vem pela frente. A gente fica pensando que tipo de dança ela vai desenvolver e ficamos sempre surpresas com o resultado", explica. "Ela é bem rigorosa e nos faz treinar o ano todo. Em toda aula você precisa chegar ensaiada para dar continuidade à coreografia. Para a nossa cultura ela representa um grande marco."

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