Curitiba

Mauro FrassonMaria Galcazzi: cesta próxima dos gostos e do bolso da populaçãoCuritiba e outras quatro cidades brasileiras poderão ter, em breve, uma nova cesta básica, composta por 34 itens considerados adequados para suprir as necessidades reais de seus habitantes. Ao contrário da atual cesta básica - definida em 1938 e que lista produtos pouco consumidos, como a banha de porco -, a nova proposta leva em conta os itens mais procurados pela população e sua importância nutricional. O projeto foi apresentado ontem, em Curitiba, pela professora Maria Antônia Galcazzi, da Unicamp, coordenadora do Estudo Multicêntrico sobre Consumo Alimentar, realizado por diversas universidades no País.
A composição da nova cesta básica - que poderá ser adotada também nas cidades do Rio de Janeiro, Goiânia, Ouro Preto e Campinas - foi definida depois de um estudo envolvendo mais de 8,5 mil famílias nas regiões escolhidas pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan). As pesquisas foram iniciadas em 1994 e procuraram definir, através de entrevistas, quais os alimentos mais consumidos pela população. A partir deste resultado, os nutricionistas montaram um quadro somando os produtos preferidos pelos consumidores à quantidade necessária para suprir as necessidades alimentares dos brasileiros.
A professora da Unicamp explica que a idéia da pesquisa surgiu com a constação que a composição da atual cesta básica não se encaixa mais no perfil de consumo da população. ‘‘Além de ter itens ultrapassados, a cesta também não pode mais ser pensada em função do salário mínimo’’, diz Maria Antônia. Com a reformulação, segundo ela, a cesta deixa de ser ‘‘o conjunto de produtos que podem ser adquiridos com um salário mínimo’’ para ser ‘‘o conjunto de alimentos capaz de suprir todas as necessidades nutricionais de uma família’’.
Mesmo sem levar em conta exclusivamente o preço dos componentes da nova cesta básica, os produtos listados podem ser adquiridos pelo equivalente a 1,76 vezes o valor do salário mínimo atual. ‘‘Além de cobrir as necessidades alimentares de uma família, a cesta básica deve ser real: próxima dos gostos e do bolso da população’’, afirma a professora.
Até o momento, a proposta da nova cesta básica ainda não foi apresentada oficialmente ao governo. A professora faz questão de frisar que, por enquanto, a proposta é apenas técnica e não há previsões de que seja adotada em caráter oficial.

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