Professora dá exemplo em Umuarama
Vânia MoreiraDedicaçãoProfessora
Iracema
Prado,
responsável
pelo
surgimento
da entidade
que cuida
dos animais
domésticos
abandonadosSem extermínio, sem maus tratos e sem usar dinheiro público, Umuarama está conseguindo resolver o problema de animais domésticos abandonados. Em menos de um ano, a Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama (SAAU) recolheu mais de 200 cachorros e gatos nas ruas para colocá-los sob o abrigo, proteção e cuidados da professora Iracema Prado, 60 anos, presidente da entidade.
O trabalho da SAAU já chamou a atenção até da União Internacional de Proteção aos Animais (UIPA), cujos diretores em São Paulo virão conhecer o abrigo. Várias cidades do Paraná e de São Paulo também querem copiar o projeto de atendimento da SAAU.
No abrigo da entidade, uma chácara alugada no Jardim São Cristóvão, vivem 260 cães e cerca de 30 gatos que recebem alimentação e cuidados médicos. São animais recolhidos nas ruas pela própria Iracema ou levados por moradores. Geralmente chegam famintos, magros, doentes ou feridos. Alguns não conseguem nem andar. A maioria se recupera em um mês.
É o caso de Janjão, um vira-lata que chegou recentemente em estado deplorável. Agora só falta recuperar o pêlo que desapareceu de tantas feridas que ele tinha. O pastor alemão Lobo estava em tratamento em meados de janeiro. Deixado durante à noite em frente ao canil, ele tinha uma infecção grave nas articulações das pernas. Isso acontece quando o animal toma muita chuva. Esse com certeza ficava amarrado ao relento, informa Iracema.
Dos 260 cães do canil, 250 são fêmeas e apenas 10 machos, que ficam separados. Imagine quantos cachorros mais teriam nascido se essas 250 cadelas continuassem nas ruas procriando a cada 6 meses, diz a professora. Os R$ 1,8 mil mensais que ganha como professora, Iracema gasta com remédios e comida. A entidade tem 160 sócios, mas apenas 16 contribuem. O veterinário Alceu de Biazzi atende de graça os cachorros.
O canil foi construído depois que vizinhos da professora reclamaram do barulho e do mau cheiro provocado pelos cachorros. Ela mantinha 80 animais no quintal da casa, no centro da cidade. Iracema chegou a gastar o que não tinha para construir um muro de 4 metros de altura, mas não adiantou. Pressionada pela Justiça, ela teve que arrumar outro lugar para os bichos. O drama de Iracema comoveu a comunidade e deu origem à SAAU. Embora a professora ainda seja a maior mantenedora, o abrigo já recebe muitas doações.





