Curitiba - Numa cidade bem planejada e pensada para proporcionar qualidade de vida para população são fundamentais os espaços e equipamentos públicos de lazer e esporte. Praças, parques, canchas, bosques, centros esportivos e espaços culturais são construídos e preservados para garantir o descanso e entretenimento do trabalhador e da família. Promovem a sociabilidade e tornam os centros urbanos mais agradáveis.
A docente Simone Rechia, doutora do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordena, há quatro anos, o projeto ''Espaços e Equipamentos de Esportes e Lazer nas Cidades do Estado do Paraná'', que já pesquisou sete municípios: Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Apucarana e Cambé.
''É preciso que a população dê sentido a esses espaços e que tenha a prática cotidiana de uso ou dará margem para o uso inadequado. Como aconteceu com um parque de Curitiba, na Cidade Industrial. Os moradores pedem para fechá-lo porque virou um local perigoso'', explica. ''Todas as esferas do governo estão sensíveis para a importância desses espaços. Só precisam ajustes de acessibilidade'', pontua.
O projeto, que recebe apoio da UFPR e da rede Cedes (Centro de Desenvolvimento de Esporte Recreativo e do Lazer) do Ministério dos Esportes, fez o levantamento qualitativo nos locais mais frequentados, ícones e mais centrais de cada município. Seis acadêmicos bolsistas fizeram as visitas técnicas e desenvolveram um protocolo de investigação que inclui registro fotográfico, em vídeo e das características mínimas desses locais.
O grupo estipulou categorias de análises, que são a acessibilidade, manutenção, segurança e tipos de equipamentos disponíveis. ''Avaliamos os equipamentos disponíveis nesses espaços como museus, centros culturais e brinquedos e a manutenção das condições de uso e limpeza.''
''Entende-se por acessibilidade se é gratuito e atende aos anseios de diferentes faixas etárias, oferece acesso a portadores de deficiências e mobilidade reduzida, além de horário de funcionamento de acordo com as necessidades dos usuário. Não adianta um centro cultural funcionar apenas no horário comercial porque o trabalhador não poderá frequentá-lo'', explica a docente, completando que o Museu Oscar Niemeyer, por exemplo, poderia oferecer mais do que um dia, por mês, com entrada gratuita para a população.
O grupo depende da liberação de mais recursos para avaliar todos os municípios acima de 20 mil habitantes. ''Não queremos apontar o pior e o melhor município, apenas avaliar esses espaços para melhorar as políticas públicas do setor e propor intervenções de gestão. No geral, o Paraná conta com bons equipamentos e espaços de lazer e esporte, porque desde a década de 1970 pensou nisso como estratégia de urbanismo'', esclarece Simone, completando que o projeto visa descobrir como os espaços foram planejados, como são utilizados e se atendem aos anseios da comunidade. ''O esporte e o lazer são tão importantes para a vida do cidadão quanto a educação, saúde, saneamento e segurança.''

Pesquisa ''Espaços e Equipamentos de Esportes e Lazer nas cidades do Estado do Paraná''

Centros Esportivos

Cascavel - Há um complexo esportivo com variedade de equipamentos (playground, quadras, campo, pista de atletismo, pista de skate, ginásios, piscina, quadras de tênis, academia), mas a falta de manutenção e cobrança de uma taxa mensal, acaba por restringir o acesso.
Foz do Iguaçu - o uso dos espaços se dá essencialmente pelas equipes de alto rendimento. O espaço é amplo, com boa infra-estrutura, equipamentos em bom estado e razoavelmente diversificados.

Londrina - demonstram uma preocupação da gestão pública com o esporte de alto rendimento (atletas), possuem equipamentos satisfatório para o treinamento esportivo, mas não possibilitam a apropriação da população em geral a partir do modelo de esporte comunitário.
Maringá - o esporte é oferecido em duas perespectivas: alto rendimento e comunitário. Um dos espaços analisados é usado para grandes eventos e competições, já outro se localiza num bairro onde são desenvolvidas escolinhas de esportes e atividades para idosos.

Espaços Culturais

Cascavel/ Foz do Iguaçu - possuem várias possibilidades de lazer (bibliotecas, teatro, museu), embora permaneçam fechados nos finais de semana. As condições de limpeza, manutenção e segurança são boas. Com relação a Foz, é visível um avanço nas políticas públicas para atrair a população carente a esses locais.

Londrina - espaços e equipamentos satisfatórios para o uso da população; horários amplos de atendimento e acesso aos portadores especiais em todos os ambientes visitados. Embora apresente excelentes condições de uso, não é utilizado de forma intensa.

Maringá - oferece muitas possibilidades de experiências de lazer (exposições, museu, peças teatrais), porém não contempla a maioria. Segundo entrevistas realizadas, parte das população não se identifica com espaços dessa natureza, portanto se faz necessário o fomento de políticas educacionais.

Parques

Cascavel - apesar do parque visitado não ser de grandes dimensões e não possuir muitos equipamentos, sua estrutura possibilita diferentes formas de apropriação, sendo mais usado nos finais de semana.

Foz do Iguaçu - os espaços possuem satisfatória estrutura com diferentes possibilidades de apropriação, embora estejam localizados distantes do centro, o que limita o acesso: talvez por isso o uso dos parques seja sazonal.

Londrina - localizam-se na região central, são espaços amplos e possuem vários equipamentos apropriados pela população; mas apresentam carência de manutenção, de acesso a portadores de necessidades especiais e segurança.

Maringá - tem várias possibilidades de vivências no lazer (zoológico, parque infantil, espaço para exercícios), é seguro, se encontra em boas condições de uso e desenvolve projetos relacionados a educação ambiental com estudantes. Não se observa apropriação efetiva.

Praças

Cascavel - se concentram na região central da cidade; são equipadas com canchas esportivas ou com anfiteatro ao ar livre e mesas de jogos; mas as condições de limpeza, segurança, manutenção e iluminação não são boas.

Londrina/ Foz do Iguaçu - não possuem infra-estruturas que possibilitem dinâmica mais intensa do lazer e esporte; se justifica pela falta de equipamentos diversificados, reduzidos a bancos e monumentos. As praças são concebidas como espaços livres para a quebra de edificação na cidade.

Maringá - o poder público da ênfase em equipar as praças para possibilitar variadas formas de apropriação pela população. A comunidade reivindica melhorias nos espaços existentes e que novos sejam criados.

OBS: Os dados de Apucarana e Cambé ainda não foram analisados pelo grupo de estudo, já os dados de Curitiba não foram divulgados no livro.

Fonte: Livro ''Esporte e Lazer - Subsídios para o desenvolvimento e a gestão de políticas públicas''

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