O povo cigano não gosta de falar sobre si, como já constataram estudiosos que buscaram pesquisar os seus costumes. A reportagem da Folha conversou rapidamente com algumas ciganas que lêem mãos no Calçadão de Londrina, mas elas pediram para não ser identificadas ''porque os maridos ficariam furiosos''.
Duas dessas mulheres, uma de 30 e outra de 50 anos, contaram que o grupo vem de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), mas não tem residência fixa. Em Londrina, eles se instalaram em cerca de cinco barracas na periferia da cidade, de acordo com as ciganas.
Elas contaram que já passaram por diversas cidades do Paraná, permanecendo poucos meses em cada. ''Quando a gente gosta fica até uns seis meses morando na cidade'', disseram. Enquanto as mulheres ganham dinheiro lendo mãos, os homens trabalham como mascates, vendendo artesanato. As ciganas têm o dom de enxergar passado e futuro, e aprendem a usá-lo com as mais velhas. As entrevistadas disseram ainda que são católicas.
Segundo a professora Lúcia Helena Oliveira Silva, que leciona História do Brasil na Universidade Estadual de Londrina (UEL), é comum que cerimônias como o casamento sejam realizadas na Igreja e, depois, dentro da própria comunidade. Ela lembra que vários costumes do povo cigano se modificaram, mas que eles conseguiram se conservar nômades.
''Os ciganos vieram da Romênia e se espalharam por toda a península ibérica. No Brasil, chegaram durante a colonização e, assim como ocorreu em outros países, foram muito discriminados'', cita. Lúcia Helena explica que os ciganos sempre foram vistos como marginais, e que boa parte desse povo foi dizimado.
Com relação à leitura de mãos, a professora esclarece que isso é tido como um dom que precisa, obrigatoriamente, ser usado. ''Para não perder o dom, as mulheres não só precisam ler a mãos das pessoas, como têm que cobrar alguma coisa, nem que sejam moedas'', afirma. (V.N.)

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