Professora acusa alunos de racismo
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Uma professora da Escola Estadual Professor Lauro Gomes da Veiga Pessoa, no Conjunto Maria Cecília (zona norte de Londrina), afirma ter sido vítima de racismo por parte de um grupo de alunos. Suzana (pseudônimo) trabalha no local desde o início do ano e diz que tem sido agredida desde o segundo bimestre. Ela já encaminhou denúncias à Delegacia do Adolescente e ao Ministério Público.
Segundo Suzana, ela soube das primeiras ofensas através de duas professoras, que teriam lhe contado menções racistas a ela feitas por cinco alunas da 5 série em sala de aula. Na mesma época, a professora disse ter sido xingada por três alunos da 6 série, inconformados porque foram repreendidos após um ato de indisciplina. ''Eles até jogaram uma pedra. No primeiro caso, o curioso é que todas as alunas eram afro-descendentes'', comenta a professora.
Suzana relata que três das cinco alunas da 5 série que a ofenderam mudaram sua atitude, mas as outras duas seguiram com a discriminação até que, no último dia 11, as estudantes teriam lhe xingado. No mesmo dia, a professoraprestou queixa contra as menores na Delegacia do Adolescente. Uma audiência está marcada para hoje. A professora também acionou a Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais contra a escola, por a impedirem de entrar na secretaria, e contra o Núcleo Regional de Educação (NRE), por descaso.
O chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, nega que tenha havido pouco caso na apuração da denúncia. ''Fomos à escola, falamos com diretores e professores. O combate deve ser intelectual, pois o preconceito é algo que está enraizado na sociedade. Colocamos à disposição uma professora assistente para começar um trabalho. Falta apenas o convite por parte da escola'', explicou.
A diretora da escola, Elaine da Silva Fedatto, explica que três alunas foram suspensas e que, neste período, foram submetidas a atividades pedagógicas. ''Nosso trabalho é de mediação. Não é o grito do diretor que vai resolver este problema social gravíssimo do racismo. Nós revimos todo o nosso planejamento e o direcionamos ao respeito à diversidade cultural'', disse.
Segundo a diretora, houve um ''equívoco'' de interpretação da professora no caso do acesso à secretaria. ''Naquele local, temos documentos confidenciais, e por isso o acesso é restrito, até para professores. Não teve nada a ver com discriminação'', defende Elaine.


