Professor volta a ser estudante
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segunda-feira, 14 de outubro de 2002
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Os professores estão voltando para os bancos escolares. Com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação todos os professores terão que ter curso superior completo até 2007. Em Londrina, cerca de 130 professores da rede municipal de ensino estão correndo atrás do ''prejuízo'' e fazendo o curso Normal Superior com Mídias Interativas, oferecido por uma extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Hoje é Dia do Professor.
Neste curso, as aulas são feitas por videoconferência em tempo real, os alunos assistem à aula por um telão e podem tirar suas dúvidas na hora, por Internet, inclusive com sala de bate-papo para discussões sobre a matéria com alunos de outras cidades. Há também uma tutora que orienta a realização dos trabalhos.
Mário de Oliveira, professor há 16 anos, é um dos alunos do curso e explica que os alunos têm que fazer vários trabalhos de vivência. ''Nós já fizemos um que foi de observação, agora estamos desenvolvendo um outro com os nossos próprios alunos e depois um terceiro, com a comunidade. Isso é muito bom porque você pode colocar em prática tudo o que vai aprendendo, além, é claro, do dia-a-dia em sala que fica mais enriquecido.''
Assim como Oliveira, Vera Lourdes Marques da Silva, professora há 26 anos, e Patrícia Ávila Fernandes, professora há 12 anos, estão muito animadas com o curso. ''Está sendo muito bom, estou aprendendo muita coisa. Para mim é importante estar sempre se atualizando'', contou Vera. Ela não precisaria fazer o curso já que, quando a lei estiver em vigor, estará aposentada.
Patrícia disse que começou o curso por causa da Lei, mas está achando a experiência de voltar aos bancos escolares interessante. ''É diferente você fazer um curso superior trabalhando na área. A gente pode aliar a teoria à prática, além de ser muito mais crítico com as informações que recebe. Você pode questionar a teoria porque sabe o que acontece no dia-a-dia'', apontou.
Os professores concordam que a volta aos bancos escolares os fez refletir mais sobre suas aulas, ver as falhas, ter mais paciência, entender melhor certas atitudes dos alunos. ''Quando a gente está na sala e começa a conversar, não consegue prestar atenção e começamos a ver onde estamos falhando nas nossas próprias aulas'', comentou Patrícia.
Segundo ela, muitas vezes, na sala de aula, se pega tendo atitudes iguais as dos seus alunos. ''Você passa a compreender melhor os alunos quando volta a ser aluno novamente.'' Para Patrícia, o curso ajuda muito na reflexão da prática na sala de aula. Ele é dirigido somente para quem já atua como professor, o que, de acordo com ela, ajuda na troca de idéias e experiências.
Patrícia e Vera lecionam na Escola Municipal Maestro Andréa Nuzzi, zona sul, onde mais duas colegas também estão fazendo o curso. ''É muito bom porque trocamos idéias, relembramos a matéria e podemos pôr em prática tudo o que aprendemos'', contaram.


