A Polícia Civil de Londrina está investigando o farmacêutico, professor e ex-funcionário do Instituto Médico-Legal (IML) Luiz Antônio Alvarenga, 55 anos. Ele é suspeito de usar documentos de um homem que morreu em julho de 2002. O delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Joaquim Melo, informou ontem que um carro que estava sendo conduzido pelo professor teria sido comprado em nome de Antônio Valdemar Maroni, 60 anos, falecido há dois anos. O veículo, um Kadet branco ano 1997, foi apreendido e em seu interior foi encontrada uma carteira de identidade com a foto do professor mas com dados pessoais de Maroni. Na casa de Alvarenga, a polícia apreendeu também quatro contratos de consórcio em nome do morto, diversos carimbos de laboratórios, cartórios e hospitais, além de talões de notas fiscais.
Segundo o delegado, as investigações começaram após uma denúncia passada à polícia há cerca de 20 dias. Melo disse que o veículo teria sido adquirido no início do ano, também através de consórcio feito em nome de Maroni. Ao apreender o veículo, o delegado encontrou em seu interior uma das três carteiras de identidade existentes em nome do morto. O delegado ressaltou que o veículo foi pago com cheque de uma conta bancária aberta em nome de Maroni.
Em diligências na casa do professor, foram encontrados mais quatro contratos de consórcios) três de veículos e um de imóvel adquiridos em nome de Maroni e com as primeiras parcelas pagas. O professor, no entanto, ainda não foi contemplado em nenhum dos consórcios. Também foram apreendidos mais de uma dezena de carimbos que imitam originais de cartórios, laboratórios e hospitais de Londrina, além de talões em branco de notas fiscais de empresas do ramo de saúde.
O delegado informou que a partir da semana que vem serão ouvidos o gerente do banco onde foi aberta a conta bancária, o representante do consórcio e representantes dos laboratórios, cartórios e hospitais. Além disso, Melo deverá levantar junto às receitas Estadual e Federal se foi aberta alguma empresa em nome de Maroni, após seu falecimento. As investigações apuram os crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso, falsificação de documento público e estelionato. O professor, segundo a polícia, já teria antecedentes por estelionato.
Alvarenga foi interrogado no dia em que foi detido com o Kadett mas reservou-se ao direito de permanecer calado e foi liberado. O delegado explicou que ele não foi preso em flagrante porque quando foi abordado não usava o documento frio.
O advogado do professor, André Luis Salvador, declarou que os carimbos, o Kadet e a documentação apreendidas não pertenceriam ao seu cliente. Apenas alguns carimbos seriam de empresas do professor. Os documentos de identidade e os contratos de consórcio teriam sido feitos por uma terceira pessoa, de quem ele estaria, por hora, preservando o nome. ''Meu cliente já prestou depoimento e vai colaborar quando for requisitado pelo delegado'', garantiu o advogado.

mockup