Kraw PenasAvenida Sete de Setembro também tem prédios altos e concentrados, com muitos problemas de insolaçãoPara o arquiteto Aloísio Leoni Schmid, que é professor da disciplina de Conforto Ambiental, do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná, as falhas existentes no acesso ao sol em alguns apartamentos devem ser atribuídas aos construtores e à prefeitura. Segundo ele, as empresas pecam no planejamento dos imóveis ao construí-los seguindo um mesmo padrão. Já a prefeitura erra quando não estabelece critérios e fiscalização sobre o que as construtoras deveriam fazer.
Schmid entende que uma das formas de possibilitar o acesso à luz seria as construtoras abandonarem o critério do pavimento-tipo. ‘‘O projeto único estabelece uma uniformidade de condições ambientais em todos os andares de um prédio, fato que não é verdadeiro’’, diz.
Uma alternativa seria a construção de andares com diferentes tamanhos, sendo que os debaixo seriam mais densamente povoados e os de cima teriam um número menor de apartamentos. ‘‘Economicamente pode sair mais caro, mas o comprador iria ter o acesso ao sol’’, diz. Outra possibilidade para minimizar os impactos do frio seria um menor adensamento do terreno, como acontece hoje na região conhecida como Ecoville. ‘‘Mas o custo também é maior’’, diz.
Por isso, o professor defende que uma solução mais prática seria que os técnicos de Urbanismo da prefeitura exigissem simulações sobre o nível de sombra das construções. ‘‘Existem programas de computador que permitem fazer estas simulações, mas também há outras técnicas como o envelope-solar’’, diz. O envelope solar simula a projeção da sombra, de acordo a altura do sol e a época do ano.
Mas a arquiteta Ana Cristina Wollmann Jayme, do Ippuc, considera que a medida é impraticável. ‘‘Se a prefeitura fizer o trabalho que a construtora deveria executar, acabaria tendo o seu serviço sobrecarregado’’, diz. Para ela, a criação de uma lei comum é suficiente para tender o maior número possível de pessoas. Outro controle para resolver as falhas na insolação seria o próprio mercado. ‘‘O comprador deve incluir na lista de importância no momento de comprar um imóvel o acesso à luz’’, diz. Ela conta que esta prática é comum em outros países. ‘‘No ano passado, quando veio o arquiteto Allan Jacobs, de São Francisco, EUA, estávamos discutindo o problema da insolação. Ele ficou surpreso com a preocupação do Ippuc, já que em seu país este problema era da construtora e do comprador, porque lá prédios mal iluminados acabavam sendo vendidos a um preço muito baixo’’, afirma. (I.R.)

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