Professor: sonho e idealismo na escolha da profissão
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quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Os salários não são atrativos e a desmotivação é grande; mesmo assim o sonho de ser professor ainda faz parte da vida de muitos jovens. Em todo o país, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), 2,6 milhões de pessoas elegeram as salas de aulas como ambiente de trabalho este ano. Uma multidão que se divide entre funcionários públicos e da iniciativa privada. Para alguns um sonho, para outros mero acaso, o que une todos esses ''mestres'' é a responsabilidade de ter em mãos a educação de milhares de brasileiros.
A estudante Josiane Vidal Broto, 25 anos, escolheu cedo a profissão. Aos 15 anos ela decidiu estudar magistério. Para ela, o maior estímulo era saber que quase todo mundo, um dia, passou por uma sala de aula e carrega a lembrança dos professores. A escolha prematura foi confirmada anos depois pela opção de cursar pedagogia. Hoje, no último ano do curso na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Josiane confessa que está cheia de sonhos. '' A gente sabe que é difícil mudar a realidade, mas vontade de fazer alguma coisa é o que não falta'', revela.
O amor pela profissão foi o que motivou a colega de Josiane, Mary Ane Marques Santos, de 22 anos, a também optar pelo curso. A estudante não desanimou diante da situação precária do ensino no Brasil e com a falta de valorização do professor. ''Ninguém escolhe ser professor para ter um bom salário'', afirma. Já para Cristiane Nadaleto, de 22 anos, também aluna do último ano de pedagogia, a garantia de trabalho em qualquer lugar do país foi um dos pontos que sempre pesou em sua decisão. ''Professor é necessário em qualquer lugar, em cidade pequena ou grande'', explica.
No Paraná, só na rede estadual são 58 mil professores. Em Londrina, o número de educadores da rede municipal chega a 2.093. O salário base é R$ 425,00 mais alguns benefícios. A secretária de Educação do município, Carmen Bacaro Sposti, acredita que a remuneração é boa e as condições de trabalho também, se comparados com outras profissões. A estabilidade de um cargo público também é um grande atrativo: 8.388 pessoas devem participar, neste domingo, das provas do concurso público para professor da prefeitura.
A grande concorrência em concursos para cargos públicos também não desanimou um grupo de quatro jovens que faz cursinho para prestar vestibular. Tatiane Cristina Correa Neves, de 17 anos, escolheu o curso de história, Gleicy da silva, de 24, preferiu geografia e os garotos Juliano Lacerda, de 19, e Robson Cardoso, de 18, optaram por filosofia. Os cursos são bem diferentes, as opiniões sobre a profissão também, mas todos têm em comum a perspectiva de se tornar professores.
Consciente das dificuldades, Tatiane quer seguir o exemplo da professora de história, que influenciou na escolha da profissão. Gleicy acredita que o retorno financeiro virá se ela desenvolver um bom trabalho. Robson prefere não pensar na parte financeira e enfatiza: ''o importante é a gente fazer o que gosta''. Juliano vai mais longe. Ele acredita que professor será a profissão do futuro e aposta que a educação ainda vai ser prioridade no país.


