APP-Sindicato e o Sindiservidores terão de encontrar novas formas de repasse da contribuição sindical. Ontem pela manhã em Curitiba, o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe) vetou um possível retorno do desconto automático, suspenso em janeiro, na folha do funcionalismo estadual.
Outros sindicatos e associações também serão atingidos. As consignações serão repassadas apenas até abril. Depois, as entidades terão que criar meios próprios para captar as taxas de seus filiados. A direção da APP já avisou que pode protestar com paralisações da categoria e greve de fome.
Além da decisão do Crafe, o dia de ontem também foi marcado por desmentidos e protestos. Um grupo de dez professores fez panfletagem durante a tarde em frente a uma agência do Banestado, na Alameda Dr. Muricy, no centro da cidade. Os professores acusavam o governador Jaime Lerner de ter dado um ‘‘calote’’ ao deixar de pagar 30% do valor dos vencimentos durante as férias de janeiro.
O professor Francisco França, 40 anos, reclamou que foi a uma agência para sacar o dinheiro do ‘‘terço de férias’’, como o benefício é conhecido. França ouviu da própria superintendente de Educação do Estado, Zélia Marochi, que o dinheiro estaria disponível nas agências a partir de ontem.
A assessoria de imprensa da Secretaria da Educação informou que houve ‘‘um erro de comunicação’’. Segundo a assessoria, Zélia participava de uma teleconferência na quinta-feira sobre os preparativos da volta às aulas. Nos bastidores, duas professoras passaram um comunicado à Zélia de que o terço estaria disponível nesta sexta-feira. Uma das professoras teve a informação de um funcionário graduado da secretaria. No entanto, conforme o setor de comunicação da pasta, nada havia sido decidido.
Enquanto a decisão não sai, os professores ameaçam com greves no início do ano letivo, que começa na segunda-feira. ‘‘Sempre temos férias em janeiro, o governo tem o dinheiro e sangra o pagamento dos funcionárioos para saldar outras dívidas’’, protestou Francisco França.

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