Arapongas - Desde os 15 anos de idade, o professor de Português José Carlos Moraes Júnior, 53, tem por hobby criar pombos-correio. Numa chácara da família, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), Moraes Júnior mantém cerca de 250 pombos. Todos as aves são registradas em associações columbófilas, segundo o professor, ''o lugar de encontro dos apaixonados por pombos.'' Moraes Júnior, por sua vez, se encanta ao falar das aves e de suas características: ''Eu adoro esses bichinhos, são uma das minhas paixões''.
Ágeis e rápidos, os pombos-correio eram muito utilizados antigamente quando não existiam os modernos sistemas de comunicação. Em tempos de guerras, essas avezinhas eram responsáveis por levar as mensagens de um lugar a outro. Moraes Júnior explicou que os pombos, quando bem treinados, podem percorrer, em apenas um dia, a distância de 600 quilômetros, em uma velocidade de 97km/h.
A característica principal dessas aves, segundo o professor, é o fato delas sempre voltarem para o pombal onde nasceram. ''Esse é o segredo delas, é como se elas tivessem um imã'', descreveu. Moraes Júnior explicou que já foram realizadas várias pesquisas para tentar descobrir como os pombos-correio se orientam para retornarem às suas origens, mas nada ficou comprovado. ''Hoje eles não mandam mais mensagens, mas não perderam a característica''. O professor explicou ainda, que os pombos-correio, são sempre narigudos, o que os diferencia das outras espécies de pombos.
O treinamento das aves é simples. Moraes Júnior disse que leva os pombos para outras cidades e os solta. Ele garantiu que aves sempre voltam para a chácara, seguindo sua natureza. O professor contou que certa vez presenteou uns amigos de outra cidade, com um casal de pombos-correio. Dias depois as aves estavam de volta à chácara dele. ''Eles não prenderam os pombos que voltaram para o lugar onde nasceram''. Por isso, Moraes Júnior mantém em cativeiro algumas aves. Segundo o professor, vários deles foram comprados em outros estados e se não ficarem presos nos pombais podem voltar para o local de origem, mesmo depois de muitos anos.
Entre os pombos, o professor tem seus preferidos e, junto com os filhos e netos - que também são apaixonados pelas aves -, acabou dando nome a eles. ''Tem alguns com nome de estrela, outros com nomes da mitologia e assim eu separo os que são especiais'', relatou. A paixão que vai passando de geração para geração, deixa a menina Júlia Carla, 5 anos, neta do professor, muito entusiasmada. ''Vai ter uma exposição na minha escolinha e eu vou levar quatro pombinhos'', disse a garota enquanto brincava com os bichinhos.

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