Professor pesquisa traduções da Bíblia
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sábado, 04 de novembro de 2000
Celso Mattos de Londrina 
A verdade não pode existir em coisas que divergem. Partindo destas palavras de São Jerônimo e utilizando textos da Bíblia escritos em hebraico, o professor e cientista espírita Severino Celestino da Silva, de João Pessoa (PB), esteve ontem em Londrina para apresentar um estudo sobre as diferentes traduções da Bíblia, que resultou no livro Analisando as Traduções Bíblicas. Ele veio a Londrina a convite do Núcleo Espírita Universitário (NEU) para participar de um seminário realizado no Centro Espírita Nosso Lar.
Doutor em odontologia preventiva, ex-seminarista, pesquisador, estudioso de hebraico e professor da Universidade Federal da Paraíba, Severino fez uma análise científica de textos bíblicos diretamente do hebraico, constatando que nas diversas traduções da Bíblia foram cometidas distorções graves. Após oito anos de pesquisa, ele concluiu que ao contrário do que diz as traduções da Bíblia, Deus não castiga, a Bíblia não condena o espiritismo, o inferno não é eterno e o satanás nunca existiu.
O interesse do professor pelo assunto surgiu depois de consultar 18 bíblias escritas em português. Percebi que determinadas passagens tinham redações completamente diferentes e como a verdade não pode existir em coisas que divergem, resolvi fazer uma análise do texto original escrito em hebraico, justifica Severino.
Segundo ele, tudo começou com os helênicos, que foram os primeiros a fazer a tradução da Bíblia do hebraico para o grego. E na tradução para outros idiomas, os tradutores foram cometendo distorções de acordo com suas convicções religiosas, afirma.
O pesquisador cita como exemplo o texto no qual Moisés condena a consulta a médiuns. Na Bíblia em hebraico não existem as palavras médiuns, espírita e espiritismo. Até porque o livro sagrado tem mais de 2 mil anos e o espiritismo surgiu há 143 anos, compara o professor. Segundo ele, estas palavras foram colocadas de propósito em traduções mais recentes por pessoas que não conheciam a doutrina espírita. Jesus nunca condenou o espiristimo e negou a reencarnação, acrescenta.
Severino diz ainda que a figura do satanás não aparece no texto original da Bíblia. Acreditar no poder do satanás é politeísmo, porque só Deus é poder. Na verdade, satanás é o lado mau de cada um de nós, afirma. Ele garante que sua obra não se opõe a nenhuma religião. O livro traz uma análise científica das traduções de textos bíblicos e serve como fonte de estudo para qualquer religião. Talvez, por isso, está sendo adotado como material bibliográfico em vários seminários.


