Professor pergunta: há uma política de lazer em Londrina?
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Lucília Okamura Londrina 
Marcos BorgesMáximaBramantes: Evento é igual a ventoOs milhares de jovens que vieram de outras cidades do Paraná e até de outros Estados para prestar vestibular na Universidade Estadual de Londrina (UEL) nesta semana encontraram uma uma política de lazer voltada para eles ou houve apenas um esforço individual, principalmente da iniciativa privada, para recebê-los?
O questão é feita pelo professor do Departamento de Estudos do Lazer da Universidade de Campinas (Unicamp), Antonio Carlos Bramantes, que ressalta a importância de formular uma política de lazer para a Cidade.
O professor está em Londrina ministrando curso de pós-graduação em Recreação, Lazer e Animação Sócio-Cultural da UEL. Atualmente, ele é também diretor de Suporte Técnico do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto - organismo operativo do Ministério Extraordinário dos Esportes.
Antonio Bramantes explica que é preciso diferenciar a política de lazer de um cardápio de eventos. Evento é igual a vento: bate e passa, afirma. Segundo ele, se um evento não estiver relacionado a outro, não se estabelece uma política coordenada para o setor.
Antonio Bramantes reconhece ser difícil organizar uma política de lazer, já que isso exige uma reunião de esforços para, entre outros itens, aproveitar e organizar o potencial do Município. Mas ele afirma que as vantagens são muitas. Para exemplificar, Bramantes cita um problema que é sempre encontrado: dois ou três setores que agendam uma atividade no mesmo dia para o mesmo público. Isso poderia ser melhor coordenado.
Falando sobre Londrina, o professor observa que um dos pontos positivos é que, por ser novo, o Município atrai novidades. Ela é dinâmica, bonita, limpa, resume. Além disso, ele destaca que o lago Igapó é importante por ser um convite à vida ao ar livre. O grande desafio do lazer hoje é retirar a pessoa de dentro de casa.
Ainda na opinião de Antonio Bramantes, Londrina tem recantos privilegiados e, por ser uma cidade universitária, é bastante efervescente. Ele acredita ser necessário encontrar uma maneira de difundir mais o que a cidade possui e criar mecanismos que facilitem o acesso às pessoas comuns às experiências de lazer. Isso se dá, segundo ele, levando os eventos às pessoas que não tem meios econômicos e até culturais ou criando meios para que elas possam ir até onde as atividades acontecem.
Quando se fala em lazer, Antonio Bramantes informa que o setor engloga atividades esportivas, artísticas, intelectuais, sociais e turísticas. O grande objetivo da política do lazer é, segundo ele, proporcionar uma vida mais equilibrada e rica, fazendo com que a população não pense apenas no trabalho.
Justamente para discutir uma política de lazer na Cidade, aproveitando o potencial e os recursos humanos já existentes, o professor e seus alunos do curso de pós-graduação organizaram uma mesa-redonda. O evento, tendo como convidados, entre outras pessoas, a secretária Municipal de Cultura, angela Marçal, seria realizado ontem à noite, no teatro Zaqueu de Melo (área central).
A mesa-redonda é uma das atividades realizadas dentro do curso de pós-graduação, que conta com cerca de 40 estudantes, de vários estados, como Goiás e Amapá. A grande maioria deles é formada em Educação Física, segundo Antonio Bramantes. A conclusão do curso, que está sendo ministrado no Sesc da rua Fernando de Noronha (área central), é prevista para hoje à noite, com uma festa organizada pelos alunos.


