Professor japonês recebe homenagem de ex-alunos
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Ex-alunos da escola japonesa Seiryo Gakuen estarão reunidos no próximo sábado, dia 27, para homenagear o professor Rokuro Sugimoto, um dos fundadores da instituição. ''Sensei Rokuro foi muito importante para nós, não só como professor, mas um educador da vida. Essa homenagem é muito merecida'', diz Robeto Kenji, integrante da comissão organizadora do evento e um dos primeiros alunos. Ao longo de 15 anos, a escola serviu de centro de hospedagem e educação a alunos nisseis.
Sugimoto é um imigrante japonês que chegou ao Brasil no final da década de 30 com apenas 16 anos, atrás das promessas de fartura. Acompanhado de seu irmão Eiti, a cunhada e a irmã dela, que futuramente se tornaria sua esposa, tinha planos de trabalhar, ganhar dinheiro e voltar ao Japão. O projeto de voltar ao país de origem não se concretizou, mas a vontade de educar filhos de colonos das lavouras não demorou a se realizar.
''Viemos para trabalhar na lavouras de café, mas por intervenção e convite de um reverendo da Igreja Episcopal, Rokuro começou a dar aulas de japonês. Infelizmente, logo depois ele teve de parar com suas atividades em função da 2 Guerra Mundial. Eles prendiam quem ensinasse japonês'', conta Fumiko Sugimoto, casada há 65 anos com Sugimoto.
Depois disso, o casal trabalhou por anos nas lavouras de café em Marialva (Norte). Em 1949, a convite de seu irmão, eles se mudaram para Londrina e abriram a escola Seiryo Gakuen, na Rua Jaguaribe. No local, hoje funciona o SOS da Vila Nova.
Esse é o início da vida de Sugimoto como educador e da história da escola, que poucos anos depois viraria referência em todo o Norte do Paraná. Seiryo Gakuen era uma escola complementar à tradicional, voltada principalmente para atividades extra-curriculares. ''Lá, as crianças tinham uma formação global; aprendiam a língua japonesa, além de várias atividades culturais e esportivas como kendô, atletismo, beisebol e judô. A escola funcionava ainda como internato para 70 jovens, que vinham de cidades vizinhas para estudar no colégio Londrinense. Chegamos a ter 350 alunos numa época'', lembra Fumiko.
Segundo ela, o prazer de seu marido era lecionar e ficar com as crianças. ''Cuidávamos daquelas crianças como nossos filhos, não havia diferença. Foram anos de dedicação.'' A escola expandia cada vez mais, até que em 1962 ele passou por uma cirurgia na coluna, que o afastaria da escola.
Seu irmão Eiti cuidou da escola por mais um tempo, mas um ano depois ela fechou as portas. ''Para sustentar nossa família, montamos uma bazar na Araguaia Foi com esse trabalho que conseguimos criar nossos filhos e formá-los na faculdade'', orgulha-se Fumiko.
Atualmente, Sugimoto está um pouco debilitado e fala pouco. Mas, questionado sobre os ex-alunos e a homenagem, seus olhos se enchem de lágrimas. ''Sinto muitas saudades.''
Além da homenagem e encontro dos ex-alunos, a programação prevê ainda exposição de aproximadamente 200 fotos de arquivo e quadros feitos por Fumiko, que é artista plástica e poeta. Mais de 100 ex-alunos espalhados pelo Brasil já confirmaram presença. O encontro será a partir das 8 horas, na Chácara Canaã.


