Professor exonerado acusa secretaria
Emerson Cervi
De Curitiba
O professor Paulo Roberto Santos Pereira, que foi exonerado do cargo de diretor do Colégio Estadual Avelino Antonio Vieira por denúncias de irregularidades, acusa a Secretaria de Estado da Educação de promover uma campanha de difamação contra ele. O diretor foi afastado preventivamente das funções administrativas do colégio em 21 de junho. Dois dias depois ele denunciou ao Tribunal de Contas e Ministério Público possíveis irregularidades no Programa de Estruturação e Melhoria do Ensino Médio (Proem).
Na última sexta-feira, 17, a secretária Alcione Salyba assinou a exoneração definitiva do professor do cargo de direção. As denúncias são que Paulo Roberto teria emitido 21 cheques sem fundos da colégio no ano passado. O ex-diretor garante que isso não justifica a medida. Eram cheques pré-datados que voltaram porque a Fundepar não depositou o total de valores do Fundo Rotativo na conta do colégio, além disso, mais de 200 diretores tiveram cheques devolvidos e só eu fui punido, afirma.
Paulo Roberto garante que pagou todos os cheques devolvidos com dinheiro de seu próprio salário em outubro do ano passado. A maioria dos outros diretores não fez isso e nenhum deles está sendo investigado.
Segundo o ex-diretor, o objetivo da campanha de difamação da Secretaria de Educação é interferir nas eleições da APP-Sindicato, que acontecem no próximo dia 30. Paulo Roberto é candidato a vice-presidente da APP-sindicato em Curitiba e região metropolitana pela Chapa 2. Essa chapa faz oposição à Chapa 1, formada por sindicalistas que apóiam a atual diretoria da APP-sindicato. A Secretaria deu a versão dela para os jornais no começo da semana e nossos concorrentes enviaram cópias das matérias para os colégios um dia depois.
Os cheques sem fundos do colégio Avelino Vieira foram emitidos em setembro do ano passado. O ex-diretor garante que naquele mês a Fundepar só repassou metade do fundo rotativo previsto para a escola como sétima parcela do ano. As outras três parcelas daquele ano nem foram repassadas e o fundo rotativo é dinheiro federal que não poderia ter outra destinação pelo Estado. Em março de 1999 o Fundo Rotativo foi regularizado.
Quase um ano depois dos repasses terem voltado ao normal, a Secretaria resolveu abrir um processo contra mim e me afastar em tempo recorde das funções. Por coincidência, o afastamento aconteceu dois dias antes de eu tornar públicas denúncias de irregularidades nos repasses de recursos para as Associações de Pais e Mestres pagarem as empreiteiras que prestavam serviços ao Proem. As denúncias apresentadas pelo professor estão sendo investigadas pelo Ministério Público.





