Professor embarca hoje para o Haiti
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
A expectativa do professor Jorge Daniel de Melo Moura, do curso de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que embarca hoje para o Haiti, é grande. Apesar de já trabalhar como voluntário em uma comunidade na periferia de Londrina, é a primeira vez que o profissional integrará uma ação de tamanha proporção. Ele se colocou à disposição pela organização não governamental Associação Missão Esperança (AME), que atua em Timor Leste e no Sudeste da Ásia nas áreas de educação, saúde e assistência emocional e espiritual.
O objetivo da ONG é aliviar o sofrimento de pessoas provenientes de contextos violentos como pós-guerra, conflitos e desastres naturais. Ao todo, o professor passará 15 dias na capital Porto Príncipe e todo custo de sua viagem está sendo financiado por ele, com ajuda de amigos e integrantes da Igreja Batista, da qual faz parte. ''Fiquei impressionado com a solidariedade das pessoas. Recebi o chamado na última sexta-feira e hoje já consegui o suficiente para passagens e para me manter por lá durante esses 15 dias'', disse.
Fluente em francês e espanhol, o professor está disposto a trabalhar em qualquer função. Segundo ele, o primeiro contato com a ONG se deu em 2004, na época do Tsunami ocorrido no Oceano Índico que deixou destruição nas zonas costeiras da Ásia e da África Oriental.
''Naquela época fui solicitado para ajudar na elaboração de projetos para a construção de unidades hospitalares. Infelizmente, como a logística para encaminhar as maquetes e os demais objetos para lá era difícil, não deu certo. Mesmo assim cheguei a elaborar os trabalhos. Dessa vez é uma outra situação, que eu não calculo como será'', relembrou.
Para fazer a viagem, Moura solicitou licença especial da UEL, além de usar parte de suas férias. Quando voltar do América Central, retomará as atividades com os alunos, sem muito tempo para folga. Mesmo assim, disse estar feliz com o desafio.
Segundo o professor, a ONG solicitou que ele levasse medicamentos. Ele conseguiu arrecadar cerca de R$ 6 mil para a compra de analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos e até colírios. Ao todo, leva 70 quilos de remédios.
Quando o assunto é a falta de condições sanitárias e de segurança, que tanto população local quanto voluntários enfrentam, o professor diz não se preocupar. Seu foco está no trabalho.
''Lógico que eu tenho medo. Tenho medo de levar um tiro ou até mesmo de algum outro tipo de terremoto por lá. Não sei exatamente o que me espera, mas eu gosto de ajudar na questão social e me sinto feliz em poder ir pra lá e ajudar'', finalizou.


