Professor e jornalista prestam depoimento sobre furto de livros
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Luka Morais 
Londrina
O professor Carlos Okawati e a jornalista Ana Marta Garcia da Silva, que fizeram doações de livros para a Biblioteca Pública Municipal e a Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL), prestaram depoimento ontem pela manhã ao delegado do 3º Distrito Policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André. O delegado preside o inquérito que apura responsabilidades sobre o furto de livros da Biblioteca Central da Universidade de Londrina (UEL).
O inquérito foi aberto depois que o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, encaminhou à Polícia Civil documentação informando que teria ocorrido desvio de livros da UEL. A irregularidade foi constatada pelo professor Okawati que, durante 20 dias, percorreu bibliotecas e lojas que vendem livros usados (sebos).
Intrigado com o fato de um amigo ter comprado na Livraria Lido um dos livros que ele havia doado à Biblioteca Pública Municipal, o professor de História da rede estadual começou, no mês passado, a percorrer as bibliotecas da Cidade e lojas que vendem livros usados.
O professor adquiriu, na Livraria Lido, um dos exemplares que faziam parte do acervo do arquiteto Luís César da Silva. A viúva do arquiteto, a jornalista Ana Marta Garcia, fez a doação em novembro do ano passado, de cerca de 8 mil livros da biblioteca do arquiteto à UEL e de quase 3 mil para a Biblioteca Municipal.
O professor Okawati não quis revelar o nome da proprietária do sebo onde os livros do arquiteto estavam sendo vendidos. Quando eu informei que tinham sido doados, o marido dela foi atrás da cliente que havia comprado os livros e os entregou ao promotor Bruno Galatti, conta.
Segundo o professor, a pessoa que vendeu o livro ao sebo tomou o cuidado de lixar uma das páginas em que havia o carimbo com o nome do arquiteto e escondeu outras marcas de carimbo na primeira e na última página, usando um adesivo. Não dava para desconfiar que eram furtados, diz. Segundo Ana Marta Garcia da Silva, os livros custam em torno de R$ 150,00 cada um.
O principal suspeito de ter furtado os livros, um funcionário da Biblioteca Central da UEL, já foi ouvido pelo delegado Jurandir Gonçalves André. Ele não quis divulgar o teor do depoimento já que isso, segundo disse, poderia atrapalhar as investigações. Mas afirmou que há outros funcionários envolvidos no furto. Seria impossível alguém sair de lá com um volume tão grande sem ser percebido, diz André.
O delegado encaminhou os livros para perícia técnica e solicitou à UEL levantamento do material doado por Ana Marta Garcia. A jornalista entregou anteontem ao delegado um disquete onde estão catalogados os livros doados à universidade. Caso fique comprovado o envolvimento do funcionário da biblioteca da UEL, ele poderá responder por crime de peculato (uso de bem público em proveito pessoal), cuja pena varia entre 2 e 12 anos.
O reitor da UEL, Jackson Proença Testa, determinou abertura de sindicância para apurar a denúncia. Comissão composta por três servidores da universidade tem 15 dias para levantar os dados e dar parecer sobre as denúncias.
A Secretária da Cultura de Londrina, Ângela Marçal, assinou resolução proibindo permutas de livros pela biblioteca e determinou também recolhimento dos livros de registro de permutas. As medidas solicitadas pelo promotor Bruno Galatti devem vigorar até que a questão em torno da legalidade do caso seja esclarecida.
O promotor Bruno Galatti informou que na próxima semana deve pedir ao Município a instauração de sindicância. Ele vai solicitar um levantamento do acervo de doações e o destino do material. O promotor quer apurar os critérios para a troca de livros, se houve seleção e avaliação do material a ser permutado, para conferir se houve ou não prejuízos ao patrimônio público.


