Mário CésarTecnologiasNicolau Obladen: ‘É preciso formar pessoas que toquem o lixo por partitura e não por ouvido’A formação de lixólogos, profissionais e técnicos preparados para buscar soluções para o problema dos resíduos sólidos urbanos, foi defendida ontem pelo presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), seção Paraná, Nicolau Leopoldo Obladen. Ele participou ontem de um workshop promovido pelo Departamento de Construção Civil da Universidade de Londrina e estabeleceu a subseção local da Abes.
Professor da Pontifícia Universidade Católica de Curitiba, e membro do Instituto de Saneamento Ambiental da PUC, Obladen observou que, enquanto para as questões da água e esgoto há estudos e soluções definidas, para a dos resíduos sólidos não existe um modelo ideal de gestão dos recursos de modo integrado. A solução depende de análise, debate, conhecimento e domínio de tecnologias. Por esse motivo, o professor conclui: ‘‘O lixo será o grande campo do saneamento nos próximos anos’’.
Obladen defende mudanças na forma de coleta e tratamento do lixo urbano. Sair do tradicional e entrar no sistema de gestão integrada é, para ele, a grande solução. O modelo, explica, prevê a divisão do ‘‘bolo’’ produzido nas cidades e um tratamento e disposição adequada para cada fatia. Exemplo: resíduos hospitalares teriam formas de coleta, tratamento e destinação diferenciadas dos industriais e domésticos. Sistema semelhante é empregado hoje em Belo Horizonte.
De acordo com o professor, 90% do lixo gerado hoje no Brasil não chega aos aterros sanitários. Os resíduos são jogados a céu aberto, gerando o caos e produzindo grande impacto ao meio ambiente. Além de poluir mananciais, o lixo causa ainda a contaminação de áreas de produção de alimentos. O professor entende que, se o processo de coleta, transporte e depósito dos resíduos fosse concluído, o método tradicional poderia ser mantido.
Na opinião dele, para cada localidade deve ser definido um sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos, considerando a peculiaridade de cada região. Não há uma fórmula pronta, diz o professor. A solução deverá ser definida por técnicos e profissionais, com a participação da comunidade e o apoio das autoridades. ‘‘Como foi feito com a água e com o esgoto, teremos que ter pessoas dominando o conhecimento sobre o lixo através de cursos de formação básica e especialização na área’’, diz o presidente da Abes. ‘‘Precisamos de pessoas que toquem o lixo por partitura e não de ouvido’’.
Conforme Obladen, o Paraná produz 3.500 toneladas de lixo por dia, o equivalente a 14 mil metros cúbicos. A estimativa é de que cada pessoa produza meio quilo de lixo diário. E a previsão da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que essa volume dobre a cada 15 anos.
O professor aproveitou sua vinda a Londrina para divulgar o 19º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental que será realizado de 14 a 19 de setembro em Foz do Iguaçu. O megacongresso, como vem sendo chamado, deverá reunir mais de 3 mil profissionais de áreas diversas, envolvidas com a questão dos resíduos sólidos urbanos. Paralelamente ao encontro haverá a 2ª Feira Internacional de Tecnologias de Saneamento Ambiental (Fitabes 97).

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