Professor defende um planejamento social
Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil em Londrina e chefe do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UEL, Fausto de Lima, a cidade é o que o povo é. Isso explica a ocupação da Rocha Pombo e da Floriano Peixoto pelos artesãos. Segundo o arquiteto, as duas praças têm poucas atividades periféricas, e delimitam um corredor de grande fluxo de pessoas, entre o Terminal Rodoviário e o centro comercial e financeiro da cidade.
Lima defende que o planejamento urbano e paisagístico passe pelo planejamento social. ''Quando você pensa simplesmente na harmonia estética, de forma puramente técnica, também não resolve. Os artesãos estão aqui há décadas por alguma razão, e simplesmente dar uns dias de prazo para desocupação das praças não adianta para eles'', afirma. Lima não tem dúvida que os artesãos e camelôs ressurgirão nas praças e na Avenida Leste-Oeste. ''Quando a prefeitura perceber, já estarão de volta. Talvez não os mesmos, mas outros que estão fora e têm interesse em trabalhar aqui.''
O arquiteto, porém, concorda com a readequação do espaço. Novas barracas para os artesãos, menores e uniformizadas, esteticamente mais harmoniosas, teriam que ser instaladas. Uma rotina de higiene, uma uniformização dos artesãos e barraqueiros, e planos de desenvolvimento empresarial junto a organismos como a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e o Sebrae (Serviço de Apoio à Pequena Empresa) podem ser saídas para retirar o comerciante da praça.
''Ruas, praças e calçadas são ocupadas de modo provisório, ninguém tem como plano ficar aqui a vida inteira'', argumenta Lima. ''E feio por feio, esses orelhões são tais ruins para a harmonia da paisagem como as barracas da praça Floriano Peixoto'', sustenta, apontando para quatro tubos de cor roxa que abrigam telefones públicos no Calçadão, defronte à Praça da Bandeira.





