Professor defende reestruturação policial
Londrina - Pedro Bodê, professor da Universidade Federal do Paraná e membro do Centro de Estudos de Segurança Pública e Direitos Humanos, afirmou que a Justiça Militar e a corregedoria agem como órgãos corporativos e só atuam como deveriam quando alguma denúncia vem a público.
"A maioria dos casos é engavetada e não dá em nada. Isso só vai mudar quando houver a efetiva reestruturação das organizações policiais, que pode ser iniciada pela desmilitarização da polícia e a unificação das corporações, além da melhoria da educação em geral e da ampliação do debate, função na qual a mídia cumpre um papel fundamental", criticou.
Ele destacou que a taxa de mortes em confrontos com a polícia no Brasil é uma das maiores do mundo. "É algo consolidado nas corporações. De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os policiais foram responsáveis pela morte de cerca de seis pessoas por dia entre 1999 e 2013, o que equivale a mais de 32 mil homicídios cometidos pela polícia do País durante 15 anos. O fórum ainda registrou mais 11.197 óbitos provocados pelos policiais nos últimos cinco anos, mais do que a polícia americana durante 30 anos. São dados inaceitáveis. Isso não é algo que está acontecendo somente agora. Já vem de muito tempo. Se tornou cultural. Isso não quer dizer que se a desmilitarização e a unificação forem implantadas hoje haverá uma mudança da noite para o dia, mas mostra que queremos uma mudança profunda. Essas transformações levariam uma geração para serem concretizadas se forem iniciadas hoje", apontou.
Ele considerou também que a junção do Departamento Penitenciário com a Secretaria de Segurança Pública no Paraná foi um retrocesso. "São duas coisas diferentes. Quem prende não pode ser o responsável pela execução da pena, isso sem entrar no mérito da discussão de que se nos presídios as pessoas são punidas ou ressocializadas", criticou. (V.O.)





