A discussão sobre o Fome Zero não deve ficar restrita ao número de pessoas atingidas pelo Programa, mas sim ao tempo que essas pessoas levarão para deixar de ser assistidas. A observação foi feita pelo chefe do Departamento de Tecnologia de Alimentos e Medicamentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fábio Yamashita, que considera estar havendo uma preocupação excessiva em discutir a questão do assistencialismo, deixando de outros pontos importantes do Programa, como a geração de emprego e renda.
Yamashita, que ontem coordenou uma programação em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, afirmou que o governo deve se preocupar em dar condições para que essas famílias tenham condições de conseguir seu próprio alimento. ''Nesse primeiro momento as pessoas estão concordando em doar, mas não sabemos até quando isso ocorrerá'', disse.
Apesar de se mostrar reticente em relação ao Fome Zero, o professor acredita que se o governo colocar em prática todas as etapas e criar condições para que a população de baixa renda consiga se sustentar, o programa tem todas as condições de alcançar seu objetivo de erradicar, ou ao menos, minimizar o problema da fome.
O secretário estadual do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmermann, disse que o assistencialismo do Fome Zero vem ocorrendo em caráter de emergência, por causa das necessidades das pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Ele lembrou que o Programa tem outros eixos de atuação, como alfabetização de adultos e cursos de capacitação, que estão sendo implantados paralelamente à distribuição de alimentos.
Em relação ao número de famílias atendidas no Estado pelo Fome Zero, padre Roque esclareceu que até o final deste mês deverá estar concluído o levantamento que vem sendo realizado pelos comitês municipais. Segundo ele, até o momento, 62 municípios estão habilitados a receber o cartão-alimentação do Programa, que permite compras de até R$ 50,00 por mês. Além disso, outras 15 mil famílias de acampados e todas as famílias indígenas do Paraná estão recebendo cestas básicas.
Dentre esses 62 municípios, o secretário afirmou que o mais preocupante é Ortigueira (113 Km ao sul de Apucarana), considerado o mais pobre do Paraná. Com uma população estimada em 25 mil habitantes, a cidade apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,620, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). A média no Estado é de 0,786, enquanto no Brasil é de 0,764.
Sobre a projeção do Fome Zero atingir 5 mil famílias até o final do ano, em Londrina, padre Roque entende que esse número precisa ser ampliado. Segundo dados da secretaria municipal de Assistência Social, cerca de 24 mil famílias vivem com renda per capita até meio salário mínimo e poderiam ser atendidas pelo Fome Zero. Destas, 18 mil já recebem algum benefício social.

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