Professor contesta Righi e sugere obra parcial no Igapó
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Arquivo Folha
Decisão contestadaAs obras paralisadas de transposição da Maringá: Antonio Natalio (foto de cima) critica a Prefeitura
O professor Antônio Natalio dos Santos esteve na última quarta-feira na Redação da Folha para contestar afirmações do secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira. Segundo Righi, a simples transposição da avenida Maringá sobre o lago Igapó, do jeito que está, vai ligar nada a coisa alguma. O secretário comentava sobre a paralisação das obras na Maringá, que começou há mais de um ano e já consumiu em torno de R$ 400 mil.
Segundo declarou Righi na semana passada, também para Folha, a obra só tem sentido se for feita na sua totalidade, ou seja, não só a transposição da Maringá sobre o Igapó como também a ligação da mesma via até a avenida Madre Leônia Milito. Mas, para isso, de acordo com o secretário, seriam necessários desapropriações e investimentos de R$ 1 milhão, o que hoje não seria possível devido a falta de dinheiro na Prefeitura.
Para Antônio Natalio, o secretário foi infeliz no comentário e também ao dizer que a simples transposição não faz sentido, já que muitos moradores do parque Guanabara e jardim Cláudia (zona sul), que chegam pela Maringá, têm que contornar a avenida Higienópolis para alcançar a rua Bento Munhoz da Rocha Neto, aumentando em muito o tempo e o trecho percorrido. Já com a transposição, seria possível ao menos ligar a Maringá com a Bento Munhoz. Não é verdadeira essa afirmação; quem mora ali não é coisa alguma, contesta o professor. Ainda que a região do lago Igapó 2 tem realmente sido tratada quase como uma coisa alguma pelas últimas administrações.
Antônio Natalio diz que grande parte de moradores seria beneficiada pela obra. Ele lembra que o tráfego na Higienópolis é pesado, perigoso e que somente a transposição já seria um paliativo de baixo custo para desafogar o trânsito. Para o professor, a obra seria importante mesmo que fosse feita somente a terraplanagem, sem asfaltamento. A gente já estaria utilizando. Imagino que com R$ 10 mil dá para concluir a parte de terra.
Ao invés disso, diz o professor, a Prefeitura colocou, na divisa da Joaquim de Matos Barreto com as margens do Igapó, há aproximadamente três meses, uma cerca de arame farpado. Natalio acredita que alguns veículos maiores, como caminhonetes, já estariam utilizando a transposição do jeito que estava, mas foram impedidos pela cerca. E essa transposição é um anseio de décadas. Não justifica trancar uma obra que estava causando tanta expectativa.
O professor destaca que reconhece a dificuldade financeira por que passa não só Londrina como a maioria dos municípios brasileiros. Ele aponta, no entanto, que se não é possível realizar toda a obra, então que se faça parcialmente, como demonstração de atenção da Prefeitura aos moradores e também respeito ao erário público, que já dispensou muito dinheiro com esse projeto. Considerando os R$ 400 mil que já foram gastos, acho que mais R$ 10 mil não seriam tanto.
A crítica de Antônio Natalio continua com outros dois problemas constatados na região. O primeiro é a falta de um semáforo nas esquinas da avenida Higienópolis com a Montevidéu. Segundo ele, tanto moradores do parque Guanabara quanto do jardim Bela Suíça têm grande dificuldade em entrar pela avenida, devido ao tráfego pesado. Ele aponta que, depois de instalado o redutor eletrônico em frente ao Iate Clube, somente há semáforo na Madre Leônia Milito.
A outra reclamação é a falta de calçamento na Bento Munhoz da Rocha Neto e também parte da rua Joaquim Matos Barreto. O professor explica que, sobretudo na Bento Munhoz - um trecho de aproximadamente 800 metros -, muitos moradores ou pessoas que trabalham na região andam a pé pela pista e correm risco de atropelamento, já que se trata também de uma via rápida. Segundo Antônio Natalio, um abaixo-assinado já foi encaminhado à atual administração, mas o calçamento não foi executado.


