Especial para a Folha
Ao contrário do que muita gente pensa, o aprendizado de informática - disciplina obrigatória em várias escolas - não oferece benefícios às crianças, mas pode prejudicar a criatividade e a sociabilidade. Videogames e televisão também são nocivos, segundo o professor Waldemar Setzer, do Departamento de Ciências da Computação e Departamento de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (USP), que esteve em Curitiba durante a Edutec - 4º Congresso Internacional de Tecnologias Aplicadas à Educação.
Estudioso do uso de computadores na educação e do impacto individual e social dessas máquinas, Setzer diz que o pensamento matemático-simbólico imposto pelos computadores é totalmente inadequado às crianças, pois tira a flexibilidade do pensamento e provoca perdas na criatividade, na capacidade de fantasiar e na sociabilidade. ‘‘Estamos matando a infância’’, declarou o professor, alegando que essa forma de pensamento será incorporada pelas crianças, interferindo no seu desenvolvimento, e que o prejuízo é maior quanto mais precoce é o contato com os computadores. O professor acusa de mercenarismo as escolas que oferecem esse tipo de aprendizado aos alunos. ‘‘Usam a tecnologia para vender vagas’’, diz.
Segundo o professor, ‘‘computador, videogame e televisão não são necessários para crianças e jovens, apenas para vendedores e fabricantes’’. Ele lembra que quando essas crianças e jovens forem adultos e ingressarem no mercado de trabalho os computadores não serão os mesmos, e por isso eles precisarão aprender tudo novamente, e que hoje é cada vez mais fácil aprender a usar um computador, pois a maioria dos programas é auto-explicativa, ou seja, aprende-se à medida em que se usa.
A idade ideal para começar a ter contato com os computadores, segundo o professor, é a partir dos dezesseis anos de idade, ‘‘quando o raciocínio está maduro o suficiente para a criança usá-lo com liberdade’’.
A Internet também pode ser nociva se não houver acompanhamento dos pais. Ao contrário do material didático das escolas, lembra o professor, ‘‘o material existente na web não é contextualizado em relação às crianças, que não têm maturidade suficiente para saber o que é adequado à sua idade’’. Mas, de toda a parafernália eletrônica que fascina as crianças, os videogames são considerados os mais nocivos pelo professor, pois ‘‘transformam os jovens em máquinas de receber impulsos visuais e reagir com impulsos motores’’.Arquivo FolhaComputadores prejudicariam criatividade e sociabilidade das criançasPaulo Grein

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