O professor Euzéias Fortunato da Silva, 51 anos, reconhece não ter decorado sequer o telefone da filha, pessoa para quem mais telefona. ''De vez em quando esqueço até o meu próprio número, já que não ligo para mim mesmo'', brinca, acrescentando que não se dá ao trabalho de memorizar números telefônicos porque os tem na agenda.
Mas, se nos números ele se autodefine como ''um desastre'', com as palavras ele é excepcional. Conhecido professor de inglês e espanhol para vestibulandos, Euzéias domina as línguas espanhola, italiana, francesa, inglesa e alemã. Além disso, é capaz de ler em latim, holandês e catalão, e falar algumas centenas de palavras em japonês. E aprendeu tudo estudando sozinho, em um longo aprendizado, iniciado em 1972. ''Conheço algumas línguas, mas é fruto de muito trabalho e esforço'', ressalta.
Para conseguir aprender tanto, a mola propulsora, segundo ele, é ter vontade. Depois, é preciso adquirir bons materiais e principalmente um dicionário. O passo seguinte é ler muito e estar constantemente em contato com o idioma, através de filmes e rádios pela internet, por exemplo, para assimilar e não esquecer as palavras já aprendidas. ''Todos os dias eu destino pelo menos 15 minutos para ler em outro idioma. O elemento repetição é de importância fundamental no aprendizado de uma língua'', ensina, provando que boa memória é mesmo fruto de exercícios constantes.
O estímulo desde a infância também influenciou em seu gosto pelo conhecimento. Euzéias revela que seus pais não tiveram muito estudo, mas sempre incentivaram os 14 filhos a estudar. ''Meus pais eram desprovidos de bases materiais, mas tinham um patrimônio ético e moral inabalável. Essa base foi de fundamental importância no nosso desenvolvimento'', reconhece.
O exemplo desse professor é louvável, mas, quando se tem apenas 17 anos e um vestibular pela frente parece que apenas exercitar a mente não basta. Murillo Gonçalves Lima sabe que precisa ler várias vezes e escrever para poder decorar um assunto. ''O problema é que é muita coisa pra estudar, por isso a galera pira'', avalia.
Para tentar facilitar a memorização, Murillo aproveita os macetes e brincadeiras dos professores na hora de decorar fórmulas de física e química, e vai além, criando suas próprias maneiras. ''Eu relaciono uma coisa a outra. Por exemplo, junto as iniciais do que preciso decorar e formo uma outra palavra ou frase'', conta.
O estudante assume que tem uma boa memória para se lembrar de lugares, conversas, números telefônicos e até compromissos. ''Só os compromissos marcados com muita antecedência, como uma consulta ao dentista, ou aqueles que eu não posso esquecer de jeito nenhum, eu anoto no papel e colo na geladeira'', revela, lamentando que só boa memória não seja suficiente para passar no vestibular, infelizmente.(A.I.)

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