Mais de 80% dos usuários do sistema municipal de saúde apresentam problemas psicossomáticos e o atendimento psicológico adequado a essas pessoas poderia desafogar os centros de prestação do serviço em proporção semelhante. A opinião é do supervisor do curso de Psicologia da Universidade Filadélfia (Unifil), José Antônio Baltazar, que colocou em discussão a qualidade do atendimento psicológico em Londrina ontem, no Dia do Psicólogo.
''Asma, dores na coluna, cefaléia, doenças da terceira idade, reumatismo, vitiligo e artrose são apenas alguns dos exemplos de patologias com grande possilibidade de causas emocionais'', exemplificou Baltazar. ''Com a realidade observada hoje no sistema municipal de saúde, os médicos não têm para quem encaminhar pacientes com este tipo de problema'', continuou.
Na opinião do psicólogo, o atendimento ideal para a cidade de Londrina contaria com um profissional para cada Unidade Básica de Saúde, o que significaria 52 novos psicólogos. Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde conta com 14. ''Mas o serviço já seria prestado com condições mínimas se Londrina contasse com dois profissionais para cada região'', indicou.
Além da sobrecarga no sistema de saúde, a falta de atendimento psicológico adequado também geraria problemas sociais, atrapalhando relações de trabalho e familiares. ''Invariavelmente quem paga pelas descargas de estresse enfrentadas no dia-a-dia é o corpo, e infelizmente muitas pessoas fazem uso de recursos como álcool e drogas para buscar alívio'', diz.
Baltazar não soube avaliar qual a demanda pelo serviço no sistema de saúde de Londrina, por acreditar que o preconceito e a falta de apoio político impediriam a utilização plena desse tipo de recurso. ''Ainda existe o estigma de que quem procura psicólogo é louco e isso faz com que muitas pessoas deixem de procurar tratamento. Por outro lado, políticas de incentivo ao uso desse recurso não têm grande repercussão junto à comunidade, o que tira o impacto de iniciativas, deixando o negócio desinteressante para as administrações públicas'', explica.
A diretora executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Margaret Shimiti, no entanto, não acredita que a disponibilização de psicólogos nos postos de saúde desafogaria o sistema municipal de atendimento. ''Pelo menos, não nesta proporção. Quando uma pessoa apresenta qualquer tipo de sintoma, seja ele psicossomático ou físico, as UBSs é quem devem fazer o primeiro atendimento'', explica.
''Além disso, em condições ideais, cada centro de prestação de serviços à comunidade precisaria ter não só um psicólogo, como também professores de educação física e assistentes sociais que, sem dúvida, oferecem melhoras à qualidade de vida da população. Infelizmente, é uma prática inviável'', aponta.

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