Uma questão da prova de Matemática do vestibular de inverno da Universidade Estadual de Londrina (UEL), encerrado na última quarta-feira, está sendo questionada pelo professor de Matemática Gileno Severino Paiva Gonçalves Pereira, 53 anos, e 39 de carreira. Segundo ele, a questão 15 foi mal enunciada. ‘‘Nenhum dos gráficos apresentados como alternativas corresponde ao que foi pedido. A resposta certa seria a F, de furada’’, afirmou.
O professor disse que foi alertado pelo estudante Rodrigo Domit, 16 anos, que prestou vestibular para Engenharia Elétrica. Ao conferir o gabarito anteontem, Rodrigo ligou para o professor questionando a resposta. ‘‘Ele havia respondido como certa a alternativa A e o gabarito trazia a D. Fui conferir e vi que não era nenhuma delas’’, garantiu.
Para o professor, o erro é grave. ‘‘É importante lembrar que pessoas supostamente experientes tiveram seis meses para elaborar 20 questões e os alunos, apenas duas horas para resolvê-las. Isso mostra como o ensino tem piorado e a preparação do vestibular também’’, afirmou. Segundo Gileno, quando o vestibular da UEL era preparado pela Fundação Carlos Chagas, dificilmente aconteciam erros. ‘‘Em 23 anos dando aulas em Londrina, só tínhamos anulado uma questão. Depois que as provas passaram a ser elaboradas em parceria da UEL com a Federal (Universidade Federal do Paraná – UFPR), os erros são mais constantes’’, disse.
O professor também apontou dois erros nos gabaritos das provas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), divulgados na segunda-feira pela Internet. ‘‘Mas lá, pelo menos, na terça-feira peguei um segundo gabarito que já estava correto’’, contou.
O presidente em exercício da Comissão Permanente de Seleção (Copese), professor Bianco Zalmora Garcia, afirmou que o órgão não vai aceitar reclamação via imprensa. Segundo ele, qualquer questionamento sobre o vestibular só será aceito se for formalizado e fundamentado. Para isso, os interessados deverão registrar a queixa junto ao setor de protocolo da reitoria da UEL até dia 25 de julho. Depois desse prazo, a universidade não receberá mais nenhum tipo de dúvida e pedido de esclarecimento. ‘‘Após o protocolo, o questionamento será encaminhado às comissões das áreas e os resultados apresentados em no máximo 48 horas’’, afirmou.
De acordo com Garcia, a decisão foi tomada para normatizar as reclamações e evitar o que aconteceu com o vestibular de verão, quando encaminhamentos foram feitos até em março. Ontem à tarde, o professor Gileno Pereira foi pessoalmente à UEL e registrou a queixa junto ao setor de protocolo da reitoria.

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